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Vieira de Leiria
é uma das três Freguesias que compõem o concelho da Marinha
Grande, distando 14 Km da sede do concelho e situada na margem
esquerda do rio Lis e próximo da sua foz, no extremo norte do
pinhal de Leiria.
A
3 Km da povoação fica a foz do Lis, com locais pitorescos, como as
antigas Tercenas, e a Praia da Vieira. Ainda muito depois do séc.
XII se carece de notícias sobre esta localidade, apesar da importância
que em vários aspectos adquiriu já no séc. XIX, derivada
especialmente do desenvolvimento industrial. Assim, esta Vieira pode
considerar-se uma povoação moderna, sem tradições históricas
propriamente ditas ou mesmo arqueológicas, como já devia
deduzir-se do facto de o seu termo haver pertencido talvez
totalmente (ao menos de início) à área do famoso "Pinhal de
Leiria", do qual, por outro lado, talvez resultasse
precisamente a formação da povoação, por actividades a ele
adstritas.
A toponímia também não dá indicações de antiguidade de
povoamento local local, pelo menos nos casos que em geral exprimem
melhor o facto, os dos nomes de povoação ou até de quintas ou
simples sítios habitados por uma ou outra família. Tais nomes são
aqui nitidamente modernos ou, pelo menos, posteriores ao primeiro
período da Nacionalidade, à única exepcção, possivelmente, de
dois: Boco e Vieira. O primeiro aparece frequentemente no
norte do Douro em Documentos do séc. XIII (especialmente as Inquirições)
com a forma de Baoco, que indica com certeza a existência originária
de uma consoante intervocálica, mas que, mesmo assim, não revela a
etimologia, devendo concluir-se apenas que é topónimo antigo.
Quanto a Vieira, aparece mais vezes, mas no norte de País também
(os casos ao sul devem-se ao apelido resultante de uma das povoações
deste nome no Minho), sem que nada possa decidir-se, aqui (Vieira de
Leiria), o topónimo tem semelhante antiguidade ou o mesmo étimo,
isto é, o latino velaria. Na melhor opinião, pode bem
tê-lo, pela região florestal onde aparece, cujo despovoamento nos
inícios da Nacionalidade era acentuadíssimo (há quem o diga
total), pelo recente do povoamento e falta de toponímia
inegavelmente antiga, e pela própria localização da Freguesia e
suas povoações acerca do mar. Caso não exista origem diversa da
dos topónimos iguais no norte do País, onde nenhum lugar de tal
nome tem situação marítima, pode aventar-se que, aqui a, designação
resulte do apelativo "vieira" , mas a compreensão
do topónimo por uma simples "vieira" (que fosse
mesmo extraordinário) ressente-se muito de tal étimo, não só
pela incompreensão resultante mas ainda porque um topónimo
resultou em geral de um facto relativamente permanente e esta Vieira
situa-se a alguns quilómetros do mar. De modo que a razão, tão
importante na determinação das origens de uma povoação que
carece de história, pode procurar-se ainda noutro facto. É de crer
que o povoamento de Vieira se tivesse operado no extremo do norte do
pinhal de Leiria com o estabelecimento de alguns casais reguengos
(dos quais haverá ainda vestígios toponímicos em nomes de povoação
que de um ou outro resultou: Casal das Raposas, Casal de Lobos,
Casal do Anjo), facto aliás, trivial na Estremadura marítima histórica,
aumentando depois a população com a exploração do famoso Pinhal
(da parte da coroa, inicialmente). No domínio toponímico, é notável
a existência de três espécies correlativas, ou quase: Cais, Praia
e Tercenas, - este revelador de indústria marítima já antiga, bem
ligado, em sentido, ao primeiro.
A passagem do Lis não teria sido o factor menos importante nos inícios
do povoamento por certos casais por ele fertilizados - se é que o
antigo Baoco se não relaciona com o seu curso, crendo-se a
origem em vadoco, derivado hipotético do latino vadu -
" o vau ", mas sem se supor, neste caso, que o topónimo
ascenda a antiguidade tal, mas à de um apelativo corrente no séc.
XIII, " baoco ", e para aqui transportado por
povoadores do Norte.
O facto também explicaria melhor Vieira, considerado assim topónimo
de importação, resultante da colonização interna da quase erma
Estremadura do período da Nacionalidade. Parece a melhor interpretação
local de Vieira à luz das circunstâncias históricas da região
naquela época e perante a dificuldade de explicação toponímica já
exposta. Administrativamente, o local foi sempre do termo de Leiria
até à erecção do concelho da Marinha Grande (1917).
No
ponto de vista paroquial, não há qualquer notícia de freguesia
anterior ao séc. XVIII. O que existia antes era uma ermida dedicada
a N. Sra. dos Milagres, no lugar da Passagem, que alguns dizem
edificada em 1615, como o abade de Miragaia, que explica: "
para mais cómoda administração dos sacramentos, por contar ao
tempo a dita povoação (Vieira) já grande número de habitantes e
se achar a distância da igreja de S. Lourenço de Carvide, à qual
então pertencia ".
No entanto é de crer que essa ermida já existisse muito antes,
talvez na Idade-Média, dedicada a Santa Maria, que, então, por
reconstrução efectuada, passaria a invocar-se por N. Sra. da
Ajuda, ambas citadas ainda na freguesia de Carvide pelo padre
Carvalho. O abade de Miragaia diz que a freguesia de Vieira foi
criada em 1740, sem declarar em que se baseia.
Devido,
especialmente, ao desenvolvimento industrial, a população desta
Freguesia duplicou em menos de um século, desde 1860, em que , aliás,
já Vieira era uma povoação importante.
É notável a sua extensa praia e as respectivas casas de madeira de
varandas apoiadas em estacas colocadas obliquamente com ripas
pintadas de variadas cores (verde, azul e zarcão).
Nesta Freguesia nasceram o actor Álvaro, professor
Virgílio Guerra
Pedrosa e os escritores Loureiro Botas e António Vitorino, estes na
Praia de Vieira.
Compreende esta Freguesia os lugares de: Boco (parte), Casal das
Raposas, Casal do Anjo e Casal dos Lobos, Galiota, Outeiros da
Passagem, Praia da Vieira e Vieira de Leiria.
A Praia da Vieira é na verdade uma antiga praia de pescadores e
cada vez mais uma excelente estância turística e de veraneio. Ao
longo do seu areal estendem-se as redes dos pescadores, as cores
vivas dos chapéus de sol e os barcos de remos longos à espera da
aventura do mar e da faina. É nos dias de verão, de manhã bem
cedo e com a maré baixa que os pescadores vão ao mar. No areal
apenas ficam as mulheres e os mais velhos que dão o último impulso
ao barco e seguram as cordas das redes. Á força de remos o barco
vai avançando em semi-círculo e as redes vão sendo lançadas ao
mar. No regresso a terra todos ajudam os pescadores a alar a rede.
Depois, quando o peixe já brilha na praia, faz-se a lota e
partilha-se a alegria e a sorte da faina.
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