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S. Pedro de Moel
é lugar e praia da Freguesia de N. Sra. do Rosário, concelho de Marinha
Grande.
É uma
das praias pitorescas da costa portuguesa, com excelente situação numa aberta
do Pinhal de Leiria, um pouco ao sul da foz da ribeira de Moel. A praia pequena,
limitada pelo norte por rochas abruptas, e ao sul por um pequeno ribeiro
facilmente vadeável, não tem boas condições para a prática de desportos náuticos,
pois o mar é geralmente agitado e aparenta as mais alterosas ondas da costa
portuguesa.
S.
Pedro de Moel é povoação muito antiga, desenvolvida à custa do pinhal, onde
substituiu o velho porto da vila de Paredes, que ficava um pouco ao sul. Aquele
porto, que teve real importância no tempo de D. Dinis, desapareceu
completamente, destruído pela erosão marítima.
Alguns
autores assinalam o povoamento árabe do local, sem que para tal haja mais que
presunções. A sua existência no tempo de D. Afonso Henriques também não é
incontroversa. O primeiro rei, definindo as linhas que limitavam o couto da doação
alcobacense, diz que o " vedit inter ipsam Peterneiram, et Moer et mari
jungitur ". Não se pode saber se aquele Moer se refere ao lugar de S.
Pedro de Moel e ao ribeiro de Moel. É natural que a povoação começasse à
volta do reinado de D. Fernando.
O
porto de Paredes ia desaparecendo e tornava-se necessário dotar o pinhal com um
porto natural para a saída das madeiras.
A
D. Fernando se ficaram devendo
importantes obras no ribeiro de Moel, que transportava a madeira até à costa.
Dessas obras ainda existem vestígios, se bem que o ribeiro tenha diminuído
muito de caudal.
Não obstante os termos da doação afonsina aos monges de Alcobaça,
S. Pedro de Moel não ficou incluída nas terras do couto. Como parte integrante
do termo de Leiria entrou nas doações desta cidade, feitas à Rainha Santa
Isabel e a D. Leonor Teles. Em 1463 entrou nos bens doados por D. Afonso V ao
Conde de Vila Real, D. Pedro de Meneses. A casa de Vila Real, que mantinha o seu
palácio em Leiria, tinha em S. Pedro de Moel casas próprias. Naquela ilustre
família se manteve a povoação até 1641, quando pela execução do último
marquês de Vila Real e do último Duque de Caminha todos os seus bens se incluíram
na Casa do Infantado. Conta-se que a jovem Duquesa de Caminha, viúva, foi para
S. Pedro de Moel carpir as suas desditas, dando o nome a uma pitoresca fraga
desta costa, o Penedo da Saudade. O Couseiro referindo-se à primitiva igreja de
S. Pedro de Moel, diz: "
estava no mesmo sítio, com a porta para o mar, e seu alpendre e se descia por
uns degraus à capela, que estava onde agora é a porta (...) esta Ermida se
reformou com esmolas dos devotos e outras vezes com esmolas do Cabido "
(...) " Devotos lhe faziam festa no mês de Agosto, e assim desta cidade
(Leiria), como de Alcobaça; e nesse dia e primeiro de Agosto, que é o da festa
das Candeias há concurso de gente; e foi este sítio muito frequentado, assim
por ser o mar tão perto como por ter lugares acomodados para a pescaria, por
uma parte e outra, e muita caça no Camarção (Pinhal de Leiria), e fazer muito
fresco um ribeiro de água doce, que não longe do sítio nasce, no qual houve
dois moinhos de pão e muito boas hortas, e por esta razão os marqueses de Vila
Real tinham nele umas casas para quando lá iam e nelas se recolhiam as pessoas,
que desta cidade e de outras partes, faziam romaria, as quais, com o ruim trato caíram
de todo ".
Foi
nas ruínas desta casa que se veio a construir a residência do grande poeta
Afonso Lopes Vieira, que se lhe refere numa poesia das Ilhas de Bruma:
"
Numa casa que está rezando ao Mar
e tem Camões coroado
não de loiro celebrado
mas de espinhos a sangrar,
aí vivi, sonhei eu,
ao som do mar, que tangia:
os sonhos, ele mos deu,
ditava e eu escrevia ".
Esta casa, depois da morte do poeta e por sua disposição testamentária,
foi entregue à Câmara Municipal da Marinha Grande para funcionar como colónia
balnear para filhos de operários vidreiros e guardas florestais.
Tem uma capela pitoresca, com motivos marítimos e decoração de
conchas e búzios. A casa de
Afonso Lopes Vieira, que foi centro de reunião de
muitos escritores e intelectuais, guarda ainda muitas recordações do poeta.
Tem excelente situação, sobre uma alta muralha que dá com a praia.
O
desenvolvimento de S. Pedro de Moel acentuou-se no Séc. XVIII,
com a construção de uma fábrica de resinosos, desaparecida. A área da praia
continuava, no entanto subordinada às Matas Nacionais, o que constituía
verdadeiro obstáculo ao seu desenvolvimento.
Em 7-V-1926, foi entregue à
Câmara Municipal da Marinha Grande, que muito
mais tarde veio a promover um notável aumento da urbanização local, abrindo
novas ruas e dotando-a com diversos melhoramentos. Entre estes avulta a construção
da nova Igreja.
S. Pedro de Moel é ponto de partida para excursões muito
pitorescas. Para norte, seguindo a linha da costa, fica o Penedo da
Saudade - elevada falésia cortada a prumo - junto da qual está o farol, depois
a praia da Concha e logo depois a Praia Velha, areal extenso que se prolonga até
à praia de Pedrogão, passando pela Praia da Vieira e foz do lis. Na Praia
Velha desagua a ribeira de Moel, com margens pitorescas e densamente
arborizadas. No Pinhal de Leiria são inúmeros os sítios pitorescos nas
proximidades de S. Pedro de Moel: a Ponte Nova, a ermida de N. Sra. da Vitória
(nas proximidades da extinta Paredes), o talhão M, etc.....
Em S. Pedro de
Moel esteve o poeta francês H. Faure, que traduziu o seu encantamento pela
pequena praia num trabalho intitulado: Les Plages Portugaises: Un mois a Sau
Pedro de Muel. Moulins, 1877.
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