Foram seus pais
Maria Malaquias Botas e Joaquim Loureiro Botas. O pai de José Loureiro
Botas, dono de uma companhia de pesca, exercia também funções de banheiro
salva-vidas, tendo sido condecorado pela Rainha, em 1892, pelo seu mérito
nessa tarefa. Quanto à mãe, ocupava-se no comércio de pescado.
Frequentou na Vieira a instrução primária, que
concluiu aos nove anos, com distinção. Nessa altura, O Século noticia o
facto, advogando um apoio governamental que lhe permitisse prosseguir os
estudos. Mas o apoio pedido não surge. Chegando a matricular-se no liceu de
Leiria, Botas não pode contudo, por falta de recursos, frequentar as aulas.
Uma possibilidade de ajuda nesse sentido por parte do padrinho rapidamente
desaparece também, devido à súbita morte deste.
José Loureiro Botas começa então a trabalhar, no comércio,
primeiro na Marinha Grande, depois, a partir dos 18 anos, em Lisboa. Aí
trabalhou numa retrosaria e numa loja de roupas do Chiado. Mais tarde
tornou-se proprietário comercial, primeiro de uma retrosaria e depois, com
outros sócios, da "Pastelaria Irlandesa", na Rua Alexandre
Herculano, a partir de 1938.
No princípio dos anos 20 frequentou, tendo sido aprovado
com elevada classificação, o curso nocturno do Ateneu Comercial de Lisboa,
instituição de que era sócio desde 1921. Pertenceu aos Corpos Sociais do
Ateneu durante mais de 30 anos, desde 1930 até falecer. Dedicou a esta
associação o seu primeiro livro, Litoral a Oeste.
Loureiro Botas relaciona-se com alguns círculos da
intelectualidade da época, entre escritores, jornalistas e artistas plásticos.
Todos os verões regressa à Praia da Vieira, onde mantém igualmente uma
extensa rede de contactos.
Foi no Boletim e noutras folhas do Ateneu que publicou os
primeiros textos, tendo sido também premiado nos jogos Florais daquela
associação, em 1938 e 1939. Ganhou ainda, com a novela 'Medalha de Oiro',
um prémio literário associado aos 'jogos Desportivos Nacionais' de 1937.
Colaborou em diversos jornais e revistas, sobretudo n' O
Século. Também o boletim do Ateneu continua a publicar contos seus, o
mesmo fazendo em 1979, já depois da sua morte, o Jornal da Marinha Grande.
Em 1940 inicia a publicação em livro dos seus
trabalhos, com Litoral a Oeste, que ganhou o "Prémio Fialho de
Almeida", do S. N. 1. e que foi duas vezes reeditado. Em 1944 sai
Frente ao mar, que teve segunda edição. O terceiro livro, Maré Alta, é
de 1952. Sete anos depois vem a lume Nasci à beira do mar (versos) e em
1963 publica-se Barco sem âncora. Como é sabido, os contos e novelas de
Loureiro Botas têm por tema principal a vida da população pobre da Praia
da Vieira, sobretudo dos pescadores e ocupações adjacentes. Muitas vezes
pintou nos seus escritos personagens e acontecimentos verídicos.
José Loureiro Botas faleceu em Lisboa, em 18 de Junho de
1963. O funeral realizou-se para o cemitério de Vieira de Leiria.
Em 1959 fora já homenageado em sessão solene no Ateneu.
Após a sua morte, esta associação inicia uma subscrição para colocar no
túmulo de Loureiro Botas uma lápide evocativa, que será colocada anos
mais tarde. Ainda antes disso, em 1965, a Biblioteca de Instrução Popular
dedicou ao autor a sua sessão solene de aniversário, à qual se deslocam
representantes do Ateneu Comercial. No ano seguinte, a escola desta última
associação prestou também homenagem ao escritor, atribuindo o seu nome,
em sessão solene, a uma sala de Biblioteca e convívio. Em 1971, o
dinamizador de recém-iniciada actividade cultural no Ateneu coloca essa
nova linha de acção associativa sob a evocação de Loureiro Botas. Em
1977, é dado o seu nome a uma rua da Praia da Vieira.
A sua obra foi objecto de análise pela jornalista Leonor
Bandarra, em sucessivos números do Correio do Minho, tendo o conjunto dessa
análise sido publicado em opúsculo em 1974.
Entre 25 de Maio de 1978 e 26 de Julho de 1979 Barco sem
Âncora é publicado no Jornal da Marinha Grande.
1934, "Um casamento no Ateneu", O Gargalhadas
(folha do Ateneu Comercial de Lisboa) Carnaval de 1934.
1938, "Como eu vi a ilha da Madeira", O Ateneu.
Boletim do Ateneu Comercial de Lisboa, Março a Agosto de 1938.
1940, Litoral a Oeste, Lisboa, Portugália. (2ª ed.:
1944)
1944, Sem título (entrevista ao "Documentário do
Ar Portugal- Brasil"), A Voz da Marinha Grande, 24.02.1944.
1944, Frente ao mar, Lisboa, Portugália.
1950, "A Praia da Vieira continua às escuras",
A Voz da Marinha Grande, 02.11.1950.
1952, Maré Alta, Lisboa, ed. autor. 1959, Nasci à beira
do mar Versos, Lisboa, Portugália.
1960, "Oito décadas" O Ateneu. Boletim do
Ateneu Comercial de Lisboa, 11 série, n.º 4, Junho 1960.
1961, "Hino ao Ateneu" (versos), O Ateneu,
Boletim do Ateneu Comercial de Lisboa, 11 série, n.º 12, Fevereiro 1961.
1963, Barco sem âncora, Lisboa, Portugália.