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José Fernando

 

José Fernando

José Fernando, tem 21 anos e é um artista multifacetado que se confessa apaixonado pela imagem. 

O que mais surpreende nele é, sem dúvida, a enorme versatilidade, ao estilo de um autêntico homem do Renascimento... José Fernando nasceu há 21 anos, em Leiria, e desde muito novo que começou a interessar-se pela expressão artística. 

Explorou a escrita, a pintura, o cinema e a fotografia. Entre outras coisas, já publicou quatro livros; participou com uma curta-metragem no festival "Caminhos do Cinema Português"; fez duas exposições colectivas de pintura e vem desenvolvendo há quase uma década o projecto musical Post Mortem, que deverá ser editado no decorrer de 1999. 

Mas é a imagem a sua mais intensa paixão, no momento. José Fernando assume dela uma perspectiva que foge ao convencional e onde o tratamento das fotos em computador adquirem maior importância que a própria máquina fotográfica. "Gosto muito de fotografia artística, mas o fotojornalismo, por exemplo, já não me diz nada", justifica. 

A médio prazo, planeia intensificar o trabalho ligado à música, concebendo capas de discos, flyers, fotos promocionais, etc. A literatura é que, entretanto, ficou para segundo plano: "passei o Verão de 1997 obsessivamente a escrever", revela, "depois descobri a fotografia e foi um universo que me fascinou de tal maneira que praticamente deixei a escrita de lado". 

Artes diferentes, forças iguais 


Não existem compartimentos estanques no trabalho que faz. Texto, imagem e pintura misturam-se com frequência numa mesma obra. José Fernando acredita que existem forças iguais em todas as formas de expressão, apesar de cada uma ter as suas características. 

Na escrita, por exemplo, reconhece uma magia que liberta o leitor de quaisquer limitações de tempo ou espaço. Ao contrário da fotografia, que nesse aspecto é uma prisão, segundo diz. Qualquer dos livros que publicou exibe uma atmosfera muito pessoal. Um estilo, nas palavras do próprio, influenciado pelos universos intimistas de Kafka e Al Berto. 

Sem hesitar, afirma sinceramente que não pretende ser famoso. Precisa de público, como qualquer artista, mas em doses moderadas, digamos assim. "Gosto que as pessoas apreciem o meu trabalho e interiorizem pelo menos parte do que eu pretendo transmitir", diz José Fernando. Aquilo que transmite tem sempre a ver consigo mesmo. "É-me difícil sair fora de mim. No fim do trabalho, tenho que conseguir ver que sou eu que estou ali retractado", refere. Isto talvez justifique que as suas fases de criatividade mais intensa coincidam com períodos tristeza e depressão. 

Actualmente a estudar em Coimbra, José Fernando reside numa habitação que é também a sede e o centro de exposições de uma associação cultural genuinamente "underground", denomina KAVE, e à qual pertence. A arte está dentro dele: "acho que todos nós devemos dar-nos a descobrir", comenta. "Eu tenho coisas a dizer e é por isso que me vou expressando, de várias maneiras". 


in: "O CORREIO" - edição de 9 de Abril de 1999 com texto de: Cláudia Garcia


obras publicadas: 

- A Grande Dúvida 

- Priva@do Nº 0.04.1999 

- Gravidade Zero 

- Só Porque... 

Para Cima...

 

  

 

  

 
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