Marinha Grande na NET                         

Biografia

Joaquim Barosa

 

Joaquim Barosa

     Joaquim Barosa«1» nasceu em 14 de Julho de 1863 no Casal da Formiga, Marinha Grande, sempre tendo residido nesta freguesia. Foram seus pais Maria Guilhermina e José dos Santos Barosa, ambos naturais da Marinha Grande. O pai de Joaquim Barosa era operário vidreiro e talvez também a mãe trabalhasse na mesma indústria, conforme se depreende da referência do autor, no prólogo das Memórias da Marinha Grande, à "[...] instrução que de meus pais recebi de operário vidreiro - dos quais herdei por honra os pergaminhos das minhas mãos [...]" .

     Barosa entrou aos 9 anos, cm 1873, para a oficina de cristal da então criada Real Fábrica de Vidros, na altura arrendada a Jorge Croft, António Augusto Dias de Freitas (visconde da Azarujinha) e mais alguns sócios em parceria. Trabalhou nesta fábrica até 1917, embora com interrupções: em 1894, quando o final do contrato de arrendamento já referido desencadeia uma crise no estabelecimento, trabalha durante quatro anos para os Serviços Florestais, como guarda nas dunas, em S. Pedro de Moel; mais tarde entre 1904 e 1909, uma nova crise na Nacional leva-o a trabalhar, esporadicamente, nas empresas vidreiras Guilherme Pereira Roldão, Santos Barosa e Almeida Morais & Cª. Lda.. A esta última voltou em 1917, tendo aí terminado o seu trabalho como vidreiro, profissão que deixou em 1922. Fui 1900 tinha passado a oficial "às semanas" - ou seja, alternando com um colega a posição ma obragem - e no ano seguinte, após vinte e sete anos de profissão, atingira o grau de oficial efectivo.

    Terminada a sua longa carreira no vidro, Joaquim Barosa tornou-se trabalhador florestal (como antes fora já esporadicamente) sendo partir de l922 fiel do armazém geral de Pedreanes. Encontra-se entre os fundadores, do Grémio Florestal, criado em 1928, do qual foi secretário da direcção e bibliotecário.

     A participação de Joaquim Barosa na vida associativa iniciara-se, porém, muito antes, Junta-se à Associação de Socorros Mútuos do Montepio em 1883, vindo no início deste século a fazer parte dos respectivos Corpos Directivos (Conselho Fiscal). Ajuda a fundar e/ou dirigir a Associação de Classe dos Operários Vidreiros da Marinha Grande (criada em 1894), a Associação de Bombeiros Voluntários (1900) e a Cooperativa "A Vitrificadora" (1899) que tinha por objectivo conseguir um arrendamento operário da Fábrica Nacional.

    Há decerto relação entre a intensa actividade pública que desenvolve e o interesse de Barosa pelo passado marinhense - interesse que exemplarmente demonstra nas suas Memórias da Grande, publicadas em 1912 com o apoio e o incentivo do director da Biblioteca Pública de Leiria, Tito Larcher (autor do prefácio). Tal como o autor as apresenta no "Prólogo" do texto, as Memórias São um conjunto de "notas históricas, antigas e recentes, sobre a minha terra", que laboriosamente recolheu (certamente ao longo de vários anos) recorrendo á bibliografia mais relevante - para o que contou, presumivelmente, como o apoio de Larcher - mas também à informação de que imediatamente dispõe como sujeito interveniente e/ou observador dos factos que menciona. Assim, mesmo os capítulos que mais longe e mais pormenorizadamente recuam no tempo - como aqueles relativos ao Pinhal e à Fábrica Stephens - conduzem inevitavelmente ao presente, à experiência vivida do autor e mesmo, por vezes, à sua posição face aos temas que apresenta. Um texto posterior, muito presumivelmente também da pena de Barosa, apresenta a mesma ligação: assinalando a entrada em funções da Comissão Administrativa da Fábrica Nacional (ou seja, a "ocasião em que o operariado da velha Fábrica Nacional de Vidros vai retomar a posse desta, laborando ali por conta própria")«2» Barosa apresenta uma Biografia de Guilherme Stephens, terminando com o apelo à construção de um monumento ao inglês.

       Primeiro e durante muito tempo único livro de história marinhense, as Memórias a ser um repositório inestimável, sempre consultado com proveito. A condição operária do autor aumenta ainda o seu interesse: de facto, conforme assinala J. Pais de Brito, que estudou as monografias locais portuguesas, é muito rara entre os autores deste tipo de textos a presença de operários como Joaquim Barosa«3».

       Uma vez publicadas as Memórias, empreendeu o autor a sua continuação, redigindo as notas que compõem a "Ampliação" incluída na 3ª edição daquelas. O facto de Barosa entender essas notas (que são, predominantemente, registos de factos contemporâneos à respectiva redacção) como consequência do texto anterior mostra bem a sua perspectiva de continuidade e de causalidade entre passado e presente.

      As Memórias foram republicadas na imprensa local em 1954/55, 1963/64 e 1976/77 (sempre publicações incompletas). Em 1977, o jornal da Marinha Grande promove a segunda edição em livro. Finalmente, em 1993 a Câmara Municipal cumpre o dever de reeditar condignamente o estudo de Joaquim Barosa, num volume enriquecido, como já se referiu, com a "Ampliação" que o autor deixara manuscrita.

Joaquim Barosa escreveu ainda um texto autobiográfico - "Apontamentos Biográficos" - e um pequeno volume de poesia. Ambos se mantêm inéditos.

       Casou em 1892 com Mariana da Conceição Silva. No ano seguinte nasce o seu único filho, José da Silva Barosa.

       Faleceu em Pedreanes, Marinha Grande, em 14 de Junho de 1940.

       Na imprensa marinhense da época, um texto de Alfredo Gândara assinalou o facto e prestou- lhe a devida homenagem. Mais tarde, a Câmara Municipal atribuiu o seu nome a uma rua da localidade. Em 1993, a mesma instituição homenageou-o com uma exposição fotográfica inaugurando o Auditório Municipal, aquando da 3ª edição das Memórias.

 

Bibliografia do Autor:

Textos não assinados (autoria presumida)«4»:

  1901,       'Lágrima d'um operário' (versos recitados na romagem ao Cemitério promovida no 1º de Maio de 1901 pela Associação de Classe dos Operários Vidreiros), Jornal da Marinha Grande, 29.06.1978.

1919,        'Guilherme Stephens", O Regional, 25.05.1919.

 Textos assinados:

1912,         Memórias da Marinha Grande, s. I., s. n. [ed. autor].

1954/55,   idem, (reedição parcial), A Voz da Marinha Grande, 14.01.1954 a 23.06.1955.

1963/64,   idem, (reedição parcial),Jornal da Marinha Grande, 15.06.1963 a 05.099.1964. 1976/77, idem, (reedição parcial), Jornal da Marinha Grande, 29.06.1976 a 28.04.1977. 1977 (2ª edição),    idem, Marinha Grande, jornal da Marinha Grande.

1993        (3ª edição, ampliada), idem, Marinha Grande, Câmara Municipal da Marinha Grande.

                "Apontamentos Biográficos", inédito.

                "Versos", inédito.

  

«1»   Ao longo da sua vida, Barosa utilizou variantes deste nome, como Joaquim Barosa Sobrinho ou Joaquim dos Santos Barosa Sobrinho.

«2»   Doada ao Estado pelo último Stephens em 1826, a Fábrica é a partir de então sucessivamente arrendada - até 1919, data em que passa a geri-la uma Comissão Administrativa com representantes dos operários.

«3»   Comunicação pessoal, 12.10.1996.

«4»   O texto não se encontra assinado e Barosa é o director do jornal. Além disso, os respectivos conteúdos podem encontrar-se facilmente nas suas Memórias, na altura já editadas.

  

in: VIDAS PASSADAS OBRAS PRESENTES
      (pinhal do rei - documentos concelhios)
    Exposição Documental e Bibliográfica
     Câmara Municipal da Marinha Grande
     (projecto Núcleo de Arquivo e Documentação)

 

Para Cima...

  

 

  

 
[Introdução][Esboço Histórico][Palavras & Imagens] [Espaço Aberto] [Roteiro Turístico][Mapa do Site]

carlosbarros - Copyright (c) 1997/2003 - todos os direitos reservados
email:
   carlosbarros@mail.telepac.pt