|
1938
- Nasce em Lisboa - Portugal
- Trabalhou nas Caldas da Rainha como pintor de cerâmica, onde tomou
contacto com grandes artistas, tais como: Madame Staeei, Hermani Lopes,
Ferreira da Silva, Júlio Pomar, entre outros. As suas tendências artísticas
foram-se revelando e, foi durante alguns anos criador e decorador de cerâmica
na área de Alcobaça. Mais tarde vai para a Marinha Grande onde se
destacou como desenhador e criador de modelos para vidro.
1979 - Cria o seu próprio atelier de pintura e paralelamente
trabalha em painéis de
azulejos.
- Tem feito exposições por todo o país entre as quais se destacam em:
Coimbra, Arganil, Tornar, Porto de Mós, Marinha Grande, Nazaré, S. Pedro
de Moel, Leiria, Óbidos, Peniche, Seixal, Alcochete, Bragança, Miranda
do Corvo, Figueira da Foz e Lisboa.
EXPOSIÇÕES
(Selecção)
1966 - Turismo Caldas da Rainha / 1973 - Sport Operário Marinhense -
Marinha Grande / 1982 - Câmara Municipal da Marinha Grande / 1983 - Nazaré
/ 1984 - Galeria 1º de Janeiro (promovida pelo M.A.C.) / 1985 - Comemorações
do 25 de Abril - Marinha Grande / 1986 - Óbidos (promovida pela
Secretaria de Estado da Cultura / S. Pedro de Moel (promovida pelo
Turismo) / Seixal / 1987 - Alcochete (integração nas Festas do Barrete
Verde) / 1988 - Leiria (Galeria Séc. XVII) - Bragança (promovida pela Câmara
Municipal) / 1989 - Barcelos (Galeria Pop Arte) / 1990 - Galeria Séc.
XVII / 1991 - Porto de Mós/ 1992 - Barcelona (Exposição Colectiva Luso
- Espanhola) / 1993 - Miranda do Corvo (Colectiva na Câmara Municipal) /
1994 - Leiria (Galeria Capitel) / 1995 - Lisboa (Galeria de Arte do
Castelo) / 1996 - Gouveia (Galeria João Abel Manta)
EXPOSIÇÕES NOS ÚLTIMOS 2 ANOS
1997 - Galeria Oriana - Coimbra
-
Pinta no Centro de Arte de Buarcos
sendo admitido como membro
-
Semana de Pintura ao ar livre -
Buarcos
-
Colectiva de Natal - Galeria da Má
- Língua
1998 - Galeria O Celeiro - Praia da Vitória - Ilha Terceira - Açores
-
II Bienal de Artes Plásticas da
Marinha Grande - O Vidro - seleccionado
-
"Revolução/Evolução"
Galeria da Má - Língua no Centro de Arte de Buarcos (censurada e mandada
encerrar)
-
Galeria Augusto Pereira -
Montemor-o-Velho - Exposição Inaugural
REPRESENTAÇÕES
Está representado em colecções particulares no País e no
Estrangeiro e no Museu "Maria da Fontinha"
- Castro d'Aire
Nas telas de Gama Diniz a expressão é uma corda tensa entre duas
extremidades. Uma delas é a sua biografia inequivocamente rica de experiências
como Homem e como Artista. A outra é a sua reacção, cérebro e coração,
no encontro possível em cada fase do seu sinuoso percurso.
O que aqui exibe são alguns dos lugares privilegiados da sua memória e
também os lugares que um vasto público pode partilhar com ele.
Longe de representarem qualquer síntese da sua obra, longe de permitirem
defini-lo pintor, são contudo obras feitas com verdade. E a obra
verdadeira é bela, é boa.
Instável, pintor experimental, como ele próprio se define (conhecê-lo
como pessoa e visitar o seu atelier podem confirmá-lo) descobrindo em
cada encruzilhada uma gramática pictórica renovada, o Gama Diniz que
agora se expõe à voracidade do público arriscando na leitura do gosto,
pode ser visto, erroneamente, como pintor do mar e das ruelas estreitas.
Este risco, correu-o com a lucidez de quem sabe que não pode defraudar
nem pode permitir ao público uma visão temática e tecnicamente reduzida
da sua vasta obra. Por isso explorou até aos limites a plasticidade dos
temas, com apurado domínio de algumas técnicas, transfigurando o real em
emocionantes praias prisioneiras do momento, e em equilíbrio de cor/traço
as ruas, o castelo, esse outro lado da cidade.
Porque fazem parte da nossa memória, podemos olhá-las com a certeza e
tranquilidade de quem identifica, mas não de quem se identifica. Perante
as telas, podemos permitir-nos a liberdade da fuga, podemos tornar imensos
os es- paços aprisionados nos limites da moldura, mas não usaremos a
expressão de escárnio "isto também eu fazia". Porque o que
ele mostra é verdadeiro, essa verdade que só pertence ao artista, e que
exposta ao nosso olhar adquire a expressão do Belo.
Mas o melhor de Gama Diniz fica por ver.
As atmosferas sufocantes dos fornos de vidro, as máscaras de olhos
assustadores, os rostos perturbantes de todos os holocaustos, que pre-
enchem todo o espaço de pequenas telas timidamente arrumadas nas
estantes.
O Melhor de Gama Diniz são as experiências inquietantes de muitos dias
do seu percurso , que ele olha à noite como obras primas e rejeita de
manhã como experiências fracassadas. Isso tudo merece a honra de ser
exposto numa galeria.
Isso tudo e muito mais, que é toda a intimidade do seu atelier, onde o
seu imaginário pode finalmente encontrar o dele materializado em milhares
de telas acabadas, inacabadas, desenhos, esboços, traços, por entre espátulas,
pincéis, cavaletes, paletas, óleos, lápis, diluentes e todo o manancial
de objectos por ele pacientemente criados.
Não é a escola o que falta a Gama Diniz. O que lhe falta - e ele sabe-o
tão bem que faz à volta disso uma deliciosa ironia: sou o melhor da
minha rua! não mora lá mais nenhum! - é viver num qualquer Montparnasse
deste final de século, lá onde fervilha a confusão e as pseudo, lá
onde outros corações inquietos partilham entre si essa experiência
excepcional de fazer nascer as obras de arte.
Para a tua exposição escrevi, como me pediste, um texto verdadeiro. Mas
não um texto bom. Podes juntá-lo ao teu arquivo de maus textos. É que,
por mais que me esforce por acreditar em Roland Barthes: “para ser um
bom crítico é preciso ser um bom fã", não consigo deixar de
entender a crítica como um sub-produto da arte.
ALICE MARQUES
Para Cima...
|