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Sente
que a sociedade "o tem vindo a desiludir"
AUTARCA,
sindicalista e interessado pela cultura, o nosso Ilustre hoje "sente
- se um pouco à parte da, sociedade, que o tem vindo a desiludir".
Depois de
ter desenvolvido actividades bastante diversas durante toda a sua vida,
actualmente os seus dias são preenchidos de uma forma bastante calma, a:
ler, jogar dominó, pescar e a ver televisão.
Durante
os anos em que foi autarca, debateu-se por alguns sonhos, uns concretizou,
mas outros ficaram por isso mesmo, como o Mini-Zoo, no Parque Mártires do
Colonialismo, o salão de chá, circuito de manutenção, para a cidade
miniatura, para que as crianças conhecessem os sinais de trânsito.
Francisco
Manuel Carvalho Duarte, nasceu nas Cruzes, a 26 de Junho de 1937.
O pai,
era oficial vidreiro, a mãe, doméstica e tinha duas irmãs mais velhas.
Depois da
4ª classe, tirou no regime nocturno, o Curso Industrial de Vidraria, na
Escola Comercial e Industrial da M` Grande.
Aos 10
anos, começou a trabalhar numa taberna, mudando-se depois para o vidro, a
levar acima e a caldear, na Marquês e "isso é que gostava de
fazer".
Aos 14,
mudou-se para os moldes, entrou para a Aníbal H. Abrantes, onde esteve 10
anos, passando a seguir para a Emídio Maria da Silva, onde se manteve
mais 10 anos e finalmente passou para a Moldes Matos, onde se manteve 18
anos, até se reformar.
Desde
1960, até 1999, esteve ligado à colectividade da Ordem, onde pertenceu
à direcção, participou no grupo de teatro, promoveu espectáculos de
variedades, fados e desfiles, sempre com muita criatividade e imaginação.
No
teatro, começou como "ponto", acabando por representar várias
peças e criando uma intitulada, "Bate Bate Coração", que
percorreu as colectividades do concelho, obtendo grande êxito.
0 "Musicordem",
foi uma aposta sua, que movimentou muitas pessoas, durante dois anos, onde
entrevistou, quase todas as figuras públicas da Mª Grande.
0
concurso de fado, o 1º Ralli Paper Nocturno, com chegada a um baile,
assim como o baile das chitas, foram outras das actividades que promoveu
enquanto dirigente da Ordem.
Na Câmara,
foi vereador e vice - presidente, com Barros Duarte e Emílio Rato, foi
ainda presidente da Junta de Freguesia da M.ª Grande, não atingiu a
reforma de autarca, porque esteve em funções 6 anos e no ano seguinte é
que saiu a lei da reforma aos 7 anos de exercício.
Não
compreende como é que as freguesias continuam a ser o parente
pobre das autarquias, sendo que ali, existe o contacto directo com a
população e os seus problemas.
Agora,
sente alguma revolta por estarem a ser resolvidos problemas, que já
podiam estar tratados durante o seu executivo e que foram atrasados por
parte da Câmara, "se tudo corre de vento em popa por haver coincidência
política é muito mau", considera.
Defende
uma união entre as colectividades de forma a trabalharem em conjunto, de
para atrair os jovens à vida associativa.
A
tentativa falhada, de recuperar a Banda da Amieirinha, foi o incentivo
para a criação da Orquestra Juvenil da M.ª Grande, ideia que ao ser
apresentada ao executivo camarário, foi de imediato apoiada.
Receoso
com o futuro da Orquestra, Francisco Duarte, sente que "vai ser
necessário criar incentivos para manter a ligação dos jovens ao
projecto", jovens que estão a atingir idades difíceis e podem tomar
outras opções.
Uma
orquestra, "com alguma profissionalização, aproveitando alguns dos
actuais elementos", é do seu ponto de vista uma solução para o
futuro, que de qualquer forma necessita de análise.
Sempre
que vê a Orquestra actuar, sente "um contentamento interior inexplicável".
Tinha a
"secreta esperança" de construir um trilho na mata, para
proporcionar a. observação das belezas existentes, criando locais de
paragem, do Comboio de Lata, “num percurso pequeno por ser bastante
dispendioso".
Depois de
todo o trabalho de recuperação está embrulhado, o que "faz
pena", mas tem esperança de o ver colocado no Museu da Floresta.
A.C.
in: JORNAL DA
MARINHA GRANDE
(edição de 06 de Julho de 2000)
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