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De naturalidade alemã, pois nasceu em Wetterburg, a 24 de Fevereiro de 1783, veio para Portugal nos primeiros anos do século XIX, a convite do então príncipe D. João, para organizar cientificamente os Serviços da Mineração de Ferro. Formado em engenharia de minas e com largos estudos de ciências naturais, foi nomeado Director das Fundições da Foz de Alge, onde se iniciava o fabrico de cutelarias, espingardas e peças de artilharia.
Aquando das Invasões Francesas (1807-10), alistou-se no exército, tendo comandado em 1808, na batalha do Vimeiro, um grupo de artilharia.
Em Outubro de 1810, por ordem do Conde de Linhares, ministro da Guerra de
D. João VI, ao tempo no Brasil, para lá seguiu, incumbido de proceder a levantamentos topográficos e estudos de mineração no sertão de S. Paulo. Realizou obra de incomparável valor:
construiu a Fábrica de Ferro de S. João de Ipanema, em Sorocaba, e gozou a glória de ter sido o construtor do primeiro alto-forno das Américas, contrariando aqueles que diziam ser essa construção inviável em países quentes. Como prémio, foi promovido a Tenente - Coronel de Engenharia.
Voltou a Portugal em 1824, acompanhado da família - incluindo o pequeno Francisco Adolfo, que mais tarde voltaria ao Brasil, seu país natal, onde se notabilizou como homem de letras.
É colocado na Marinha Grande, como Administrador Geral das Matas. Apesar de se ter construído nesse ano o bonito prédio para a Administração do Pinhal e residência do Administrador Geral, preferiu viver dentro do Pinhal, no sítio da Fonte Santa (próximo do Tromelgo).
O Administrador Warnhagem contribuiu em muito para o engrandecimento do Pinhal e da própria povoação, que conseguiu ver elevada, por algum tempo, à categoria de concelho.
Deixou vários escritos, dos quais se salientam "Contas da Administração dos Reais Pinhais de Leiria" e "Manual de instruções práticas sobre a sementeira dos Pinheiros".
Frederico Luiz Guilherme de Warnhagem faleceu no dia 16 de Novembro de 1842, em Lisboa, onde ficou sepultado.
A Marinha Grande soube reconhecer-lhe tudo quanto fizera pelo seu engrandecimento, atribuindo o seu nome à maior avenida da terra: precisamente a primeira a ser construída na Marinha Grande, para ligar a Administração Geral das Matas com Pedreanes e o parque do Engenho. Inexplicavelmente, a Comissão Administrativa da CMMG substituiu esse nome, em 1975.1975.
(Os elementos apresentados foram extraídos dos livros 0 Pinhal do Rei, de A. Arala Pinto, e Oito séculos de história luso-alemã, e E.A. Strasen e Alfredo Gândara.)
in: CIDADE
DA MARINHA GRANDE SUBSÍDIOS PARA A SUA HISTÓRIA
(João Rosa Azambuja)
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