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"Prepara-se para
escrever sobre a história da M.ª Grande"
É o mais
velho de nove irmãos, cuja família passou grandes dificuldades. Nasceu
no lugar da Pedrulheira, no dia 27 de Outubro, de 1925, mas, o Bilhete de
Identidade aponta o dia 7 de Novembro:
Diamantino Silva André.
0 pai,
foi oficial de vidraça, na Guia, na Fontela e na Borraceira e depois
destas empresas encerrarem, trabalhou noutras empresas de vidro,
ligadas à garrafaria. Era um homem inteligente, que dissertava sobre vários
assuntos e animava muitos bailaricos particulares, a tocar viola.
A mãe,
era doméstica e quando nova, ensinou muitas pessoas a ler no lugar da
Pedrulheira.
Tinha uma
certa "veia poética", que
nunca foi aproveitada e por isso compreendeu bem o facto dos filhos
se interessarem pelos livros.
Com
apenas 7 anos de idade, em vez de ir para a escola, o nosso Ilustre, foi
experimentar várias profissões.
Fez de
tudo, desde ajudante de pedreiro, aprendiz de serralheiro
e moço de recados.
Foi para
a escola de Picassinos com
quase oito anos, já o ano escolar ia avançado, no entanto, talvez
revelasse capacidades especiais e a professora resolveu dar-lhe duas
classes num só ano, de forma a que com apenas 11 anos tinha a 4ª
classe concluída.
Assim que
aprendeu algumas letras, começou a pedir livros a todas as pessoas e
quando a mãe o mandava ao pinhal, levava sempre consigo um livro,
que lia encostado aos pinheiros, pelo que demorava sempre muito tempo para
apanhar o mato ou a lenha
Acabada a
4ª classe, foi para o Ricardo Gallo trabalhar no vidro onde chegou a 3º
ajudante, passando depois para a secção de pintura da Ivima.
Logo que
começou a trabalhar passou a adquirir o século, um diário da época,
que custava 4 tostões.
Frequentou
a Escola Industrial e começou a escrever para o Região de Leiria antes
de ir para a tropa.
Foi o
coordenador da página dedicada à Marinha Grande.
A sua
adversidade ao serviço militar levou-o a recolher ao hospital de Tomar,
sem ter doença nenhuma.
Uma
carta, ao Ministro da Guerra, Santos Costa, onde manifestava compreensão
para a necessidade de a juventude estar preparada para uma guerra, mas no
seu caso, seria mais útil em casa a trabalhar para a família, valeu-lhe
o regresso a casa.
Na Ivima,
só os pintores, mais velhos tinham trabalho para três dias por semana,
ao que o nosso Ilustre, foi encaminhado pelo presidente da Companhia, a
participar num concurso, para entrar nos serviços da Caixa de Previdência,
onde ficou 16 anos.
Desde 3
de Fevereiro de 1967, foi correspondente do Diário de Notícias, onde
escrevia notícias diversas e na página cultural escrevia com pseudónimos.
Foi correspondente do
"Novidade", um diário da igreja católica e foi redactor
principal do JMG desde o seu início, durante vários anos.
Um
editorial com o título "Ai dos vencidos", onde dissertava sobre
os vencidos da vida, valeu-lhe uma multa de 5 contos da censura, porque o
censor lhe disse para mudar o título quando os jornais já estavam na
rua.
Como
autarca, foi tesoureiro da Junta de Freguesia e fez parte do Conselho
Municipal.
Integrou
a Federação dos Sindicatos Vidreiros e considera que "contribuiu
para muitas melhorias nas condições dos vidreiros".
Casou em
1948, teve 8 filhos.
Durante
muitos anos, manteve a sua porta aberta, a todos quantos o procuravam a
pedir ajuda a nível da execução de documentos e congratula-se de,
"nunca ter aproveitado situações em seu favor".
Possuidor
de uma memória espantosa, participou na execução do livro do centenário
do Ricardo Gallo.
É sócio
de várias colectividades, do concelho e tem ajudado quase todas na execução
de estatutos e outros documentos.
Apesar de
algumas dificuldades a nível de saúde, prepara-se para se debruçar
sobre a história da Marinha Grande, no sentido de registar o que
conseguir.
A.C.
in: JORNAL DA
MARINHA GRANDE
(edição de 24 de Fevereiro de 2000)
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