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MANTÉM
VIVA UMA TRADIÇÃO EM EXTINÇÃO
Sentiu
que algo não estava bem, quando chegou à Marinha Grande, relativamente
à empalhação e cestaria e decidiu "meter mãos à obra", de
forma a retomar um curso, que "está a perder-se".
O
choque que recebeu na altura, foi o incentivo para começar a pensar em
promover a actividade, que tinha desaparecido completamente.
A
trabalhar a tempo inteiro, na arte de empalhação e cestaria, é, ao que
nos é permitido saber, o único na região da M.ª Grande.
Apenas
em Vieira de Leiria, a Luz da Guia, é uma grande artista, a trabalhar o
vime, no entanto, por motivos de saúde, não está a trabalhar a tempo
inteiro, para sua pena.
Dizem
os entendidos, que por exemplo o vinho, perde qualidade quando o garrafão
é envolto em plástico e não empalhado e o nosso Ilustre, congratula -
se de na zona centro do país, apenas em Aveiro, existe um indivíduo que
executa trabalho semelhante a tempo inteiro.
Desde
muito pequeno, que Adelino Santos Marques, está ligado à cestaria.
Nascido
em Gonçalo, concelho da Guarda, a 21 de Novembro de 1948, filho de
agricultores e com mais três irmãos, tinha poucas opções
profissionais.
Depois
da escola primária, que frequentou na sua aldeia, ou ia para o campo ou
enveredava pela cestaria, uma arte desenvolvida naquela região.
Apesar
de não ter conhecimentos do ofício, seguiu os conselhos do pai, que o
incentivou a enveredar pela cestaria, por ser menos duro do que o trabalho
no campo.
Aos
dez anos, veio para Leiria como aprendiz, para uma loja de pessoas
conhecidas da sua aldeia, que na cidade tinham uma loja e oficina.
Durante
quase dois anos, não aprendeu grande coisa, porque tinha que tomar conta
da loja e não podia trabalhar na oficina.
Regressou
a Gonçalo e desenvolveu o gosto pelos cestos e ao ter vontade de fazer,
desenvolveu a técnica.
Entrou
para uma oficina, e com os conhecimentos que já tinha e o gosto de criar,
foi fácil inserir-se nos vários modelos.
Aos
catorze anos, foi convidado a vir trabalhar na loja que hoje lhe pertence,
onde durante dois anos aprendeu mais um pouco, passou para Leiria e
novamente regressou à sua aldeia.
Ali,
foi convidado para ensinar quem se interessava pela arte.
Bastava-lhe
olhar para uma fotografia para executar a peça, na perfeição.
Até
ir para a tropa, integrou a secção de criação de modelos, na empresa
onde trabalhava.
Durante
o período militar, em Moçambique propôs ao comandante fazer cestos para
o quartel. Então, com os nativos, aprendeu técnicas de trabalhar o bambú,
que até ali desconhecia.
Quando
regressou do serviço militar pensou mudar de profissão e foi para a
Alemanha, para serralheiro civil, mas ao fim de sete meses, regressou a
Gonçalo.
Em
conjunto com outros artesãos fundou uma cooperativa de artesanato para
formar e apoiar artesãos e comercializar o trabalho de cerca de duzentas
pessoas.
A
seguir decidiu instalar-se por conta própria e ao saber que a loja da
M" Grande estava a fechar, negociou a casa e veio para cá.
Ajuda
os clientes, ao executar peças que lhe encomendam especialmente para
certos locais da casa.
Faz
o que gosta e enfrentar desafios, dá-lhe um grande prazer.
Por
outro lado, sente, que se estivesse a trabalhar para outra pessoa, não
teria a realização profissional e pessoal que hoje tem.
Se
voltasse a trás, dedicava - se à mesma arte.
A.C.
in: JORNAL DA
MARINHA GRANDE
(edição de 29 de Junho de 2000)
Para Cima...
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