MARINHA GRANDE                         

Biografia

Acácio das Neves Morais Matias

 

 

  Nasceu na Marinha Grande em 16 de Maio de 1898, filho de José Morais Matias e de Irolinda Ribas das Neves.

Tal como seu pai, cedo se começou a dedicar à nobre indústria do vidro, iniciando-se, como aprendiz vidreiro na fábrica Marquês de Pombal, onde seu pai era oficial.

Aos 12 anos de idade, já os seus companheiros preferidos eram os livros de química e os tratados sobre vidro. Procurou sempre o contacto com técnicos de vidro estrangeiros, leu tudo o que se relacionava com a técnica do vidro e pesquisava através de experiências persistentes os segredos desse material. Assim se tomou num dos melhores técnicos do seu tempo.

O seu nome foi famoso, o que o levou a ser disputado por vários industriais portugueses e espanhóis. Assim, trabalhou como técnico nas fábricas: Gaivotas, em Lisboa, Fábrica de Garrafas de Vila Nova de Gaia, Companhia Industrial Portuguesa (hoje IVIMA), Fábrica Portuguesa de Vidraça Prensada ("Bengalas"), Fábrica Lusitana (ultimamente Angolana), Fábrica Marquês de Pombal (hoje CRISAL da Marinha), FAPAE (Philips do Engenho), Fábrica Portuguesa de Vidro Neutro, Centro Vidreiro do Norte de Portugal (Oliveira de Azeméis), Alvarez & Filhos, (Vigo, na Espanha).

Contam-se muitos feitos do seu valor técnico: "Quando a Philips iniciou o fabrico de ampolas para as lâmpadas, na Marinha Grande, ciosa dos seus créditos, mandou os seus engenheiros, por não acreditar existirem cá técnicos capazes. Ao verificarem, porém, a facilidade e brilho com que Acácio Morais se havia, esses engenheiros voltaram à origem, dizendo: "Nada aqui temos a fazer"".

"Quando se instalou a fábrica de vidraça Prensada, surgiu o problema da têmpera da chapa que se produzia. A chapa saía mal recozida e por isso partia-se. Economicamente era um desastre, daí que o sócio maioritário, José Emílio de Magalhães, tenha chamado Acácio Morais para resolver o problema. Tão bem o fez, que o senhor Magalhães, em reconhecimento do seu trabalho, dividiu a sua quota com o Acácio.

Acácio de Morais foi um homem generoso, tão generoso que talvez se lhe pudesse chamar até perdulário. Ganhou muito dinheiro, mas talvez tivesse sido pouco para satisfazer os seus desejos de minorar desgraças. Deve ter sido o marinhense com a alma mais bondosa e caritativa. Os pobres sentiam-se ricos ao pé dele, embora por vezes fosse impulsivo, mas sempre justo.

Morreu a 24 de Fevereiro de 1954. O seu funeral, uma das maiores manifestações de pesar e dor realizadas na Marinha Grande, juntou milhares de pessoas, ricos e pobres, industriais e trabalhadores, da sua terra e de muitos outros pontos do País.

Embora tenha tido, como toda a gente, os seus defeitos, mas recheado de boas qualidades positivas, é estranho que as autoridades marinhenses nunca tenham perpetuado o seu nome, colocando-o numa artéria da terra que tanto amou.

in: "Cidade da Marinha Grande - Subsídios para a sua História - João Rosa Azambuja"

 

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