Artur Neto Barros

 

Artur Neto Barros

     Artur Neto de Barros nasceu em 21 de Dezembro de 1915, na Marinha Grande. Foram seus pais Zulmira da Piedade Neto de Barros e Artur dos Santos Barros. Zulmira da Piedade era filha de Gervásio Neto, proprietário de uma casa comercial, onde ela própria frequentemente trabalhava também. Artur dos Santos Barros era guarda-livros e viera de Lisboa. Pertenceu, no início dos anos 1920, aos Corpos Directivos do Centro Republicano Democrático Marinhense, tendo nessa condição sido candidato a eleições municipais, em 1919.

     Artur Neto de Barros fez na Marinha Grande os estudos primários e secundários - estes últimos em regime nocturno, pois já trabalhava. Em Setembro de 1930 a Câmara Municipal atribuiu-lhe m prémio pecuniário por ter sido no ano transacto o melhor aluno da Escola Industrial e Comercial. Mais tarde, já adulto e pai, fez o curso do Liceu e obteve, em 1971, a licenciatura em Economia, no Instituto Superior de Economia e Finanças (Lisboa).

     Iniciou aos 12 anos a sua actividade profissional, na Nacional Fábrica de vidros, onde trabalhou na parte administrativa (temporariamente também na composição) e chegou a sub-administrador. No princípio da década de 50 fundou, com um sócio, a sua primeira empresa, no ramo da empalhação: Catita & Barros, Lda.. Mais tarde, foi co-fundador da Iberoplás, empresa pioneira na utilização de algumas técnicas e materiais do sector dos plásticos. Como revisor oficial de contas, como gestor e como sócio, esteve ligado a numerosas empresas marinhenses e da região. Pouco antes de falecer havia sido eleito para os Corpos Sociais da Aníbal H. Abrantes.

     Artur Barros encontra-se ligado ao associativismo e a outras actividades cívicas desde o início dos anos, 1940. Pertence sucessivas vezes aos Corpos Directivos do Atlético Clube Marinhense, nos anos 40 e 50, chegando a presidir à Direcção. Pertence também ao Sport Operário Marinhense, onde jogou xadrez, e ao Rotary Club de Leiria, ao qual presidiu em 1981-82. No Imito da sua actividade como rotário, obteve a concessão a jovens marinhenses de bolsas para estudos superiores.

     Em 1940 fez parte da junta dos Pobres, organismo para-municipal criado com o objectivo de obviar às consequências mais graves, para largos extractos da população marinhense, das sucessivas e prolongadas crises do sector vidreiro. Ainda em 1969 pertencia à Comissão Municipal de Assistência, que sucedeu à referida junta.

    Em 1944 integra a Sociedade dos Amigos de S. Pedro de Moel e vinte anos depois a Comissão promotora da construção da piscina oceânica e, logo após, a firma Promoel. Em 1975, redige e entrega à Comissão Administrativa do município um estudo - cuja publicação na imprensa local foi promovida por aquela Comissão - sobre os efeitos nefastos de grandes cortes previstos no Pinhal, junto a S. Pedro e ao ribeiro.

       Candidato independente nas listas do Partido Socialista Artur Barros foi o primeiro presidente eleito da Câmara Municipal, entre 1976 e 1979.

       Se o presente - e o futuro - de S. Pedro de Moel o haviam interessado, neles tendo procurado intervir, debruça-se, nos últimos anos da sua vida, sobre o passado da localidade. Publica em 1989 Subsídios para a história de S. Pedro de Moel, recolha e síntese de numerosa documentação pouco divulgada, à qual acrescenta uma Adenda em1991. Mais tarde, é o seu conhecimento directo do passado recente marinhense que o motiva a escrever um texto de ficção histórica, - O Chalupa - cujo protagonista é um operário vidreiro e cujas peripécias reflectem de perto a história da Marinha no segundo quartel deste século.

      O facto de ter oferecido à Biblioteca Municipal a sua colecção de jornais marinhenses - que é hoje uma das peças mais úteis no acervo daquela instituição – ilustra ainda a importância que conferia ao conhecimento do passado local e à disponibilização pública das fontes que permitem construi-lo.

     Artur Neto de Barros casou em 1943 com Luisette Font Roldão. Tiveram 2 filhos: Pedro Miguel e Ana Maria Roldão Barros.

     Faleceu em Leiria, em 16 de Dezembro de 1992.

     Em Outubro do ano seguinte, a Câmara Municipal deliberou atribuir o seu nome a unia artéria pública em S. Pedro de Moel. Mais tarde, em 1995, encontrando-se danificada a placa que assinalava o facto, foi esta, por iniciativa do Rotary Club, substituída por uma outra incluindo o símbolo daquela associação.

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Bibliografia do Autor:

1945, Sem título (discurso e m sessão de homenagem a A. C: Duarte), A Voz da Marinha Grande, 22.02.1945. 1975,'Memorial'(sobre problemas ambientas em S. Pedro de Moel),Jornal da Marinha Grande, 31.01.1975,

1976, Sem título (entrevista enquanto candidato a presidente da CMMG)Jornal da Marinha Grande, 09.12.1976 1977, Sem título (entrevista enquanto presidente da CMMG), O Correio 03.06.1977,17.06.1977.

1978, Sem título (entrevista a A. Martins, enquanto presidente da CMMG)Jornal da Marinha Grande, 09.03.1971 1989, Sem título (discurso em festa de homenagem a José H. Vareda), O Correio, 10.02.1989. 1939,'Em memória do Dr. José Vareda, O Correio, 21.04.1989.

1989, Subsídios para unia monografia de S. Pedro de Moel, Marinha Grande, ed. autor.

1991, Adenda a Subsídios para a história de S. Pedro de Moel, Marinha Grande, ed. autor.

1992, O Chalupa - história de uma vida dura num período negro, s. I., ed. autor.

 

in: VIDAS PASSADAS OBRAS PRESENTES
      (pinhal do rei - documentos concelhios)
    Exposição Documental e Bibliográfica
     Câmara Municipal da Marinha Grande
     (projecto Núcleo de Arquivo e Documentação)

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