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Pára-quedismo
"um bicho impossível de sair"
UM dos
colaboradores na fundação da Associação de Pára-quedistas Pinhal do
Rei da Marinha Grande, o nosso Ilustre, admite que "ser pára-quedista
é um bicho impossível de se perder".
Apesar
dos dois acidentes que sofreu, em operações militares, não deixa de
sentir uma paixão imensa e viver com o espírito pára-quedista. António
Manuel Velindro Figueiredo, nasceu na freguesia de Sé Nova, em Coimbra,
no dia 31 de Dezembro de 1946.
Tem uma
irmã mais velha, o pai era compositor tipógrafo e a mãe modista.
Frequentou
a escola primária na Boavista até à 4ª classe, passando depois para o
Colégio Luís de Camões, que já não existe, onde leccionou até ao 2º
ano.
Porque só
queria fazer atletismo, com 11 anos de idade, saíu da escola e foi
trabalhar.
0
primeiro emprego, foi ao balcão a vender peças e acessórios de automóveis,
onde se manteve, até aos 17 anos.
0fereceu-se
como voluntário para os pára-quedistas, com 17 anos, entrou com 18, para
o Regimento de Caçadores Pára-quedistas em Tancos.
Entrou
como soldado raso, tirou o curso de cabo e nesse posto, seguiu para Moçambique
na 4ª Companhia de Caçadores Pára-quedistas, em 1966.
Instalaram-se
na zona de Moeda, no entanto a 4 de Março, de 1967, quando participavam
na operação "Hiena", saindo do vale de Miteda para descansarem
em Nanguloolo durante uns dias, sofreu um acidente que o obrigou a ser
evacuado.
Esteve
internado 4 meses, no hospital nos Açores, "onde ficavam os casos.
mais graves", passou à disponibilidade em 1968 e ficou com cinco
estilhaços no corpo, um deles junto ao coração.
Apesar de
combalido, regressou à família pelos seus próprios meios e em 1969 já
casado, foi trabalhar na parte administrativa de uma empresa do ramo automóvel,
em Angola.
Em 1975,
regressou a Coimbra como vendedor de equipamentos para artes gráficas e
algum tempo depois, veio para a Mª Grande onde refez a sua vida.
Em 1977,
foi convocado para o serviço militar, para os pára-quedistas, mas, 6
meses depois, num salto nocturno em Tancos sofreu novo acidente.
Em 1980,
pediu a demissão e saiu antes de concluir o curso de sargentos.
As
saudades de saltar são imensas e para as "matar", o nosso
Ilustre ainda há poucos dias saltou
da torre em Tancos, o que já não fazia desde 1965, em pára-quedas, não
salta desde 1980.
Para o
fazer, necessita de passar por uma reciclagem e além disso, é necessário
um certo número de elementos dispostos a fazê-lo.
A
actividade de vendedor e a sua afabilidade, proporcionaram-lhe um grande número
de amigos na cidade ,vidreira.
Um belo
dia, num pequeno convívio de amigos, foi decidido criar a Associação de
Pára-quedistas, que preside actualmente.
Iniciaram
apenas com vinte elementos, um deles o sócio nº 1, o Toni, é pára-quedista
do ano de 1955 e actualmente, já contam nas suas fileiras com cerca de
248 associados.
Uma casa
nova, onde possam funcionar é o grande sonho do nosso Ilustre e dos
restantes associados, no entanto, enquanto não a encontram, vão
utilizando a casa, cedida pelo senhor Joaquim Alves Cruz, sócio benemérito.
0 convívio,
entre os antigos pára-quedistas e seus familiares, é um dos grandes
objectivos da Associação, porque "recordar é viver e encontrar
amigos de há muitos anos é muito importante para os pára-quedistas, que
sempre trocam recordações".
Sentem
uma grande satisfação em levar pessoas a saltar e não deixam passar a
oportunidade de levar a saltar quem a isso se dispuser, por isso, será
inesquecível o prazer que deram ao "Manel" facilitando-lhe a
concretização de um sonho.
António
Figueiredo, como muitos outros militares que têm mazelas de guerra,
apenas lamenta, que o facto de ter no seu corpo cinco estilhaços, entre
outras mazelas, algumas psicológicas, não seja abrangido nas estatísticas,
de deficiência, ao ponto de ter direito a qualquer tipo de compensação,
seja de que valor for.
Desistir não está
nos seus planos e mesmo em tempo de paz, a sua luta vai continuar.
A.C.
in: JORNAL DA
MARINHA GRANDE
(edição de 04 de Outubro de 2000)
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