MARINHA GRANDE                         

Biografia

António José de Magalhães Júnior

 

António José de Magalhães Júnior

Nasceu na Marinha Grande em 26 de Maio de 1852, filho de António José de Magalhães e de Ana de Jesus Maria, oriundos da Vista Alegre.

Industriado por seu pai, ainda muito novo, na difícil arte da vidraria, na Real Fábrica de Vidros da Marinha Grande, foi grande não só como florista-gravador mas também como desenhador-construtor, serralheiro-maquinista, químico vidreiro e cristaleiro. Esse grande feixe de conhecimentos conseguiu-o por ser dotado de um espírito observador nato e de grande habilidade manual, que tudo o que fosse inovação reproduzia. Seguiu sempre interessado os ensinamentos de classificados mestres estrangeiros trazidos pelo conde de

Azarijinha quando arrendatário da Real Fábrica. Depois de saírem da Fábrica o director João Augusto de Castro e o administrador-gerente A. Correia da Silva Marques, por falecimento em 1883, Azarujinha entregou a responsabilidade do estabelecimento António José de Magalhães júnior.

Quando, em 1894, terminou o contrato de arrendamento da Real Fábrica ao conde de Azarujinha e veio novo arrendatário, A. J. Magalhães júnior mostrou interesse em montar, juntamente com os amigos (que tinham sido seus empregados) João Francisco Alves, Joaquim Matias Pedrosa e José Ferreira Gândara júnior, uma pequena fábrica para fabrico de cristal. O conde de Azarujinha forneceu o capital, não para uma pequena mas para uma grande vidreira, assim nascendo a Fábrica Nova, cuja construção, iniciada em 15 de Abril 1894 sob concepção e direcção de A. J. Magalhães, entrou em laboração em 5 de Janeiro do ano seguinte.

Mais tarde, em 3 de Dezembro de 1914, convidado por numeroso grupo de amigos, Magalhães júnior iniciou finalmente a construção da pequena fábrica que anos antes para produzir cristais: a fábrica Marquês de Pombal, da sociedade Magalhães & Cª., que entrou em laboração no dia 20 de Agosto de 1917 - ao que infelizmente António de Magalhães júnior, que falecera em 24 de junho de 1917, já não pode assistir.

Foi também grande lutador pela restauração do concelho da Marinha Grande. Fez parte, em 1893, da vereação da Câmara Municipal de Leiria, onde defendeu os interesses sua freguesia.

Por todos os seus feitos na defesa e desenvolvimento da indústria vidreira foi agraciado em 1892, pelo rei D. Carlos, com a comenda de Cavaleiro da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo.  

in: "Cidade da Marinha Grande - Subsídios para a sua História - João Rosa Azambuja"

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