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Abel de Jesus Carreira Rei |
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10/09/1967
Bissá |
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Durante estas três
noites, todo o pessoal aqui destacado pouco tem dormido, pois espera-se
outro ataque mais forte, visto saberem que nós até este momento, ainda não
temos mortos nem feridos, e ainda que poderão tirar proveito da nossa
falta de iluminação, e falta de munições - o que não seria admissível, num
ponto infestado de turras, como este! De tarde chegou um helicóptero com
material “bélico". Servindo-nos deste, enviámos o correio para Bissau.
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11/09/1967
Bissá |
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Com partida no dia dez
de Mansôa, chegou cá, cerca das onze horas, um grupo de homens
encarregados de nos trazer víveres, mas a pé e sem eles, - pois os víveres
ficaram a mais de cinco quilómetros - dado que as viaturas que os
transportavam não conseguiram avançar mais, e depois de terem sofrido três
emboscadas pelo caminho, sendo a última no próprio local de paragem.
A nossa coluna que foi
ao seu encontro, esteve até às três horas do dia dez, à espera,
regressando outra vez ao aquartelamento. Entretanto eles chegavam lá pelas
cinco horas, sofrendo uma emboscada e atascando as viaturas. Apesar das
dificuldades, tiveram de passar lá a noite, indo alguns a pé à frente e
encontrando a nossa coluna que tinha ido ao seu encontro de novo, logo de
manhã, neste dia. Seguiu para o local uma viatura nossa, nessa coluna, que
atascando aqui e ali, com grande sacrifício lá os encontrou, depois de
passar sob uma - embora fraca - emboscada dos turras. Tinha chovido toda a
noite anterior, e continuou durante este dia, até à chegada já bastante
noite, dos meus colegas, chegando-se a pensar que também eles lá ficariam.
Eram pouco mais de vinte
homens, e outros tantos estavam cá dentro do destacamento.
Nessa mesma coluna veio
um furriel sapador, de Maceira Liz, de nome Miroto, e que eu conhecia -
pois nasci lá - embora só de relance.
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16/09/1967
Bissá |
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Às nove e tal da manhã
dava-se o primeiro grande "acidente" da companhia. Balanço: quatro mortos,
sendo dois brancos e dois pretos, e mais de treze feridos graves; uma
viatura em pedaços; e diversos materiais estragados!... Uma viatura
"pisava" a primeira mina: E íamos fazer oito meses, que nós andávamos a
pisar estradas da Guiné!
A coluna feita para
levar o furriel "meu vizinho" à Metrópole, em férias - ou melhor, até
Porto Gole, para daí seguir para Bissau - trazia-nos géneros e
medicamentos. Indo tudo pelos ares.
Morreu o condutor de
nome Castro, bastante meu amigo e o comandante da coluna, e meu amigo
também, furriel Antunes, que conhecia a Marinha Grande, tendo já lá
trabalhado, pelo que me contou um dia. Era casado e natural de Portalegre.
Sendo os últimos dois, nativos cujos nomes eram: Mamadu Jamanca e Adular
Sissé.
Estes três últimos
mortos, pertenciam ao Pelotão de Caç. Nat. Nr. 54, e no qual eu estava
integrado até à minha vinda para Bissá. Eram todos óptimos camaradas, por
quem era estimado, visto ter vivido quase cinco meses entre eles.
De salientar, o espírito
de sacrifício, com que andaram os sete quilómetros que faltavam até cá,
dois brancos e dois pretos, que abalaram logo, mesmo debaixo de fogo, dos
turras emboscados, trazendo a notícia de tão grave acontecimento, vindo um
deles, o cabo nativo Ananias, com uma perna aberta e os ossos à mostra e
um pulso partido, além dos outros também bastante amassados, pois andaram
pelos ares, e caíram de qualquer maneira, ficando ainda alguns debaixo da
viatura que se virou ao contrário, ao lado do buraco, com mais de três
metros de diâmetro, originado pela explosão da mina.
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Para Cima...
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