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Abel de Jesus Carreira Rei |
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14/05/1967
Bissá |
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Mais um domingo de
Guiné: primeiro de Bissá; um destacamento composto por oito
casernas-abrigos, vedado com arame farpado e iluminado com os já atrás
referidos - petromaxes. Está cercado por tabancas cujos habitantes são de
raça balanta, das quais foram queimadas as mais próximas, para melhor
defesa do mesmo.
Fica rodeado de bolanhas
(terrenos planos cobertos de capim) a nascente, sul e poente, e matas pelo
norte o ponto mais perigoso, e pelo qual os turras têm possibilidades de
nos atacar. Há imensas árvores, e de grande porte, que foram deixadas
mesmo dentro do aquartelamento. É composto por um grupo de combate e duas
secções de polícia administrativas. Está cá uma secção de sapadores, que
além de vedarem o destacamento e armadilharem os pontos mais estratégicos,
fizeram um forno para cozer o pão, e estão a fazer um refeitório e
cozinha, (estes últimos, mais propriamente o furriel da secção).
Este dia foi de
descanso. Esta noite estive de reforço pela primeira vez na Guiné.
Dorme-se em abrigos, onde não deixam de abundar "manga" de mosquitos, isto
é: imensos! E assim por vontade do "próximo"', passei o primeiro domingo
cá, que acabo de descrever em frente dum abrigo, e à luz dum petromax.
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15/05/1967
Bissá |
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Quando um homem nasce
para não ter sorte, pode fazer tudo o que quiser, que nunca a encontra,
pelo menos enquanto viver "obrigatoriamente" no meio destes meninos com
papel de homens. Logo de manhã, obrigaram-me a ir trabalhar de picareta na
mão, fazendo algumas bolhas, pois era coisa que não estava habituado a
fazer. Apesar do alferes nos ver a suar e recusando-nos a trabalhar quando
o calor aqueceu, obrigou-nos - a mim e a mais quatro, que andávamos
juntos, depois de nos interrogar, para saber qual a razão porque não
trabalhávamos - a estarmos formados, durante uma hora, ameaçando-nos que
não iríamos almoçar, e ainda durante este tempo, chegou ao pé de nós com
três cervejas cheias de água imprópria para beber, e em linguagem menos
digna de um chefe, formado para conduzir homens, esquecendo a sua formação
seminarista, dizer-nos isto:
- “É para que vocês
vejam com quem estão a lidar. Sei reconhecer o vosso esforço; tanto sei
ser mau, como quero que vejam em mim um homem, que gosta que lhe sigam o
exemplo!"
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Para Cima...
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