Saímos a pé, por uma
enorme bolanha, toda coberta de capim com mais de dois metros de altura,
pelas três e meia da madrugada, com destino a Bissá, onde chegámos às sete
e meia, para fim quase exclusivamente da compra de gado bovino.
Instalámo-nos em redor das, tabancas, para montar segurança ao capitão da
Cart.ª nr. 1439, de Enxalé, enquanto negociava com os nativos, visto os
mesmos, tanto nos venderem a nós, como aos nossos inimigos.
Foram mais de cinco
horas, de aldeia em aldeia, tendo o máximo cuidado na operação, dos
cercos, pois o inimigo é familiar aos habitantes, chegando a passar as
noites com eles.
Em determinada "moransa",
(habitação comum) foi mesmo capturado um, que tentava fugir, apesar da
nossa vigilância.
Depois desta operação
regressámos a, Porto Gole, mas por caminhos diferentes, para fugir às
emboscadas, que o inimigo costuma fazer nesta zona. Talvez devido à
mudança de itinerário não houve contacto. O calor era intenso, e o
percurso parecia não mais ter fim, que nos obrigou a passar diversas
bolanhas, até um rio, que além da pouca água na altura, de uma margem à
outra, um autêntico lamaçal. Foi uma jornada bastante dura, e com imenso
desgaste de energias até à exaustão.
Demoraram três horas os
nossos esforços, e finalmente chegámos pelas quatro horas a Porto Gole.
Este dia foi terminar a
Enxalé, onde jantámos e tomámos banho, o que bem necessitávamos, após tão
grande sacrifício, com tão pouco tempo de Guiné.
Hoje pude avaliar, quão
grandes, teriam sido as dificuldades, que os nossos antecessores sofreram,
e eu ainda terei de sofrer (?). A água, que costuma ser bebida com
comprimidos e filtrada, bebeu-se por todos, sofregamente sem olhar a
limpeza e origem.
Bebia-se todo o líquido
que nos aparecia, quer nas poças do terreno, ou nos poucos cursos de água,
fosse ele da cor que fosse!