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António
Arala Pinto nasceu em 13 de Setembro de 1888, na Ribeira, Ovar. Aí viveu
cerca de um ano, após o que passa a residir em Lisboa.
Foram seus
pais Júlia Augusta Estêvão Arala Pinto e Francisco António Pinto,
ambos naturais da região de Ovar. Francisco António Pinto era juiz.
Realizou também algumas viagens de exploração em África, das quais deu
conta num cicio de conferências proferidas na Sociedade Portuguesa de
Geografia em 1886 e reunidas no volume Angola e Congo. Conferências
(Livraria Ferreira, 1888). Mais tarde, António Arala Pinto agregaria ao
exemplar desse volume conservado na família algumas cartas então
dirigidas a seu pai, a propósito das referidas conferências, por
conhecidos vultos da cultura portuguesa da época - entre os quais se
contam Antero de Quental, Pinheiro Chagas, Hermenegildo Capelo ou Oliveira
Martins.
António Arala Pinto estudou em Lisboa, na Escola Politécnica. Cerca de
1912-14, após a morte da mãe, passa largos meses no Brasil. Regressando,
inscreveu-se no Instituto Superior de Agronomia, vindo a formar-se como
engenheiro silvicultor.
Entrou ao serviço das Matas Nacionais em Março de 1922, colocado na 3ª
Circunscrição Florestal (Mata de Leiria) onde trabalhou até se
aposentar, em 1957. Chefiou a Circunscrição desde 1927. Durante a sua
longa permanência na Marinha Grande viveu num dos chalets do
Parque do Engenho.
À sua
actividade profissional António Arala Pinto juntou o estudo científico
dos temas florestais, sobretudo do pinheiro. Colaborou em publicações
especializadas, nacionais (como as Publicações da Direcção-Geral
dos Serviços Florestais e Agrícolas ou a Indústria Portuguesa) e
estrangeiras (como Le Sud-Ouest économique e Le Portugal au poínt de
vue agricole). Participou em encontros de estudiosos. Publicou também
trabalhos de divulgação, destinados a um público mais vasto, de que é
exemplo o volume As árvores, dedicado " aos rapazes de
Portugal" e também (na terceira edição) aos guardas florestais.
O apreço de Arala Pinto por esta classe profissional encontra-se ainda
patente na fundação, que promoveu, do Grémio Florestal, destinado (nos
termos dos respectivos Estatutos) à "instrução, distracção e
recreio dos sócios pela leitura, reuniões de famílias e jogos
recreativos, conferências e diversões teatrais" e na veemência com
que, n' O Pinhal do Rei, se insurge contra a diminuição dos
montantes salariais daqueles funcionários, que o Estado Novo acabava de
impor. Também alguma da sua correspondência oficial enquanto chefe da
Circunscrição revela preocupações quanto às condições de trabalho e
remuneração dos seus subordinados.
Na qualidade de responsável pelo Pinhal, Arala
Pinto pertenceu no início dos anos 1930 ao Conselho Consultivo da Fábrica
Nacional. Nessa altura conturbada da vida da Fábrica, redige os dois opúsculos
A crise vidreira (1931 e 1932), nos quais desenvolve as suas
convicções em relação à melhor forma de ultrapassar os problemas de
então. As teses que defende são diametralmente opostas às do
Administrador da Fábrica na época, Calazans Duarte, verificando - se
acesa e interessante polémica entre ambos. É também durante a permanência
de Arala Pinto à frente da Circunscrição Florestal que muitos vidreiros
trabalham temporariamente no Pinhal, designadamente na construção de
estradas. Correspondência oficial da época revela a sua preocupação e
as suas diligências para obter as verbas destinadas a pagar esses
trabalhos. Além dos textos técnicos, Arala Pinto escreveu textos literários:
ensaio (Duas dívidas. D. Dinis e o nacionalismo de Afonso Lopes
Vieira, conferência proferida em 1951 na Casa do Distrito de Leiria
e depois publicada em opúsculo); conto (Contos para miúdos e graúdos,1941);
teatro (Maria do Rosário, 1945, e a revista O Pinhal Real,
que escreveu propositadamente para ser representada em 1936, em benefício
do Grémio Florestal.
Parcela
significativa das suas publicações, porém, compõe-se de estudos
locais: o artigo "A tradição no progresso do distrito de
Leiria", texto de comunicação apresentada ao 1º Congresso das
Actividades do Distrito de Leiria, em 1944 (também publicado em opúsculo)
e, sobretudo, O monumental trabalho O Pinhal do Rei (1937-38)
dois volumes compilando documentação e informações variadíssimas, até
hoje de consulta indispensável. Na verdade, ao estudar a Mata Arala Pinto
não se limita aos aspectos propriamente silvícolas: contextualiza-os num
quadro social e histórico mais vasto, assim elaborando uma obra do maior
relevo para todos os interessados no passado do Pinhal e no passado da
Marinha Grande. Arala Pinto casou em 1922 com Maria Felismina Reimão.
Barbedo. Em 1957 aposenta-se por doença, passando então a viver em
Lisboa, onde falece em 30 de Março de 1959.
Já
antes dessa data, em 13 de Agosto de 1953, a Câmara Municipal deliberara
atribuir o seu nome ao parque infantil então construído em São Pedro de
Moel. Mais tarde, em 12 de Abril de 1966, o mesmo é decidido em relação
a uma das ruas da Marinha Grande
Para Cima...
Bibliografia do Autor:
1922, As árvores, s. I., ed.
autor.
1931, A crise vidreira (1), s. I., ed. autor.
1932, A crise vidreira (@1), Leiria, - ed. autor.
1935, As árvores, s. I., ed. autor (2' edição).
1936, '0 Pinhal Real' (teatro), manuscr..
1938, O pinhal do rei. Subsídios, Alcobaça, ed. autor,
1941, Glória ao Mestre",AAVV, 1941,ln Memoriam
Prof. Dom António Xavier Pereira Coutinho, Porto, Empresa Diário do Porto, Lda..
1941, Contos para miúdos e graúdos, Alcobaça, ed.
autor.
1943, "Fogos" (comunicação ao 1 Congresso
Nacional de Ciências Agrárias), Publicações
da Direcção-Geral dos Serviços Florestais e
Agrícolas, vol. X, tomo 11: 355-372, Lisboa,
Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Agrícolas. Também separata, 1943.
1944, A tradição no progresso do distrito de Leiria
(comunicação ao 1 Congresso das actividades do Distrito de Leiria), Alcobaça, ed. autor.
1945, Sem título (discurso em sessão de homenagem
a A. Calazans Duarte). Transcrito n' A Voz da Marinha Grande, 22.02.1945.
1945, "Vozes da floresta' (conferência no Instituto de
Serviço Social), manuscr..
1945, Maria do Rosário (teatro), s. I., ed. autor.
1947, "As ferrarias da Foz d'Alge", Indústria
Portuguesa, n.º 228, Fevereiro 1947.
1947, "A pensar com os meus botões, nos rapazes e
nos pinheiros', Indústria Portuguesa, n.º 235,
Setembro 1947.
1948, "Árvores e madeiras", Indústria Portuguesa; n.º
254, Julho 1948.
1948, "Surpresas e ensinamentos colhidos no Pinhal de Leiria", Lisboa, Sociedade de Ciências
Agronómicas. Também publicado em Indústria Portuguesa, n.º 250,1948, sob o título "Origem
verosímil do pinheiro bravo em Portugal".
1949, "Areias e aproveitamento na indústria manual e
madeiras provenientes de "quasímodos" da
floresta", Indústria Portuguesa, n.º 257, Julho 1949.
1949, "A indústria das limas e o Pinhal de Leiria",
Indústria Portuguesa, n.º 262, Dezembro 1949.
1952, As árvores, s. I., ed. autor (3ª edição).
1952, Duas dívidas: D. Dinis e o nacionalismo de Afonso Lopes Vieira,
-s. 1. [Leiria], Comissão
Municipal de Turismo de Leiria.
in: VIDAS PASSADAS OBRAS PRESENTES
(pinhal do rei - documentos concelhios)
Exposição Documental e Bibliográfica
Câmara Municipal da Marinha Grande
(projecto Núcleo de Arquivo e Documentação)
Para Cima...
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