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A MORTE DO CLIENTE SATISFEITO

Se o seu produto ou serviço não o satisfazem, ele parte imediatamente para a concorrência. Conheça cinco estratégias para tornar o marketing mais eficiente na era da Internet de sucesso

Por Regis Mckenna


    

Estamos diante de um novo cliente. Ele espera satisfação imediata no que quer que seja que estiver a comprar. Irrita-se se não conseguir o que pretende — vai imediatamente procurar os concorrentes. É o cliente que nunca está satisfeito. As empresas têm de se adaptar a este novo personagem. O caminho para isso é adoptar um novo marketing, que englobe da gestão de relacionamentos à capacidade de actuar em tempo real, que seja capaz de oferecer mais coisas em menos tempo. Ainda bem que os computadores pessoais, os aparelhos de fax, os telemóveis e a Internet estão à disposição — eles reduzem o tempo necessário para obter informações, tomar decisões e passar à acção.
O novo marketing está intimamente relacionado com uma excepcional rapidez de resposta às expectativas do cliente no menor tempo possível. Já é um facto que o ambiente empresarial competitivo tolera cada vez menos a lentidão. Agora é preciso incluir a velocidade na sua estratégia de marketing e implantá-la em toda a organização. Toda a empresa deve agir e reagir ao cliente com base no intercâmbio constante de informações sobre ele.
O que é que isso significa? As previsões sobre tendências de longo prazo no mercado ou as exigências futuras do consumidor passam a ser perda de tempo. Quem quiser preparar a sua empresa para o novo consumidor, e para a sua eterna insatisfação, deve começar por implementar uma nova cultura dentro de casa. Preparei um guia de como agir. Não demore mais. O cliente insatisfeito é real. O tempo está contra nós.
1Treine os funcionários para actuar em tempo real. A prontidão de resposta exigida pelo novo cliente depende do comprometimento de todos dentro da organização. Encoraje os empregados de diferentes divisões da empresa a atender às necessidades uns dos outros tão pró-activamente quanto atendem os clientes. Exponha os empregados de todos os níveis da organização a exemplos de pensamento e operações em tempo real. Encoraje-os a desenvolver ideias novas e a estar dispostos a implantá-las. Crie uma cultura que os motive a participar. Trate a mudança como uma oportunidade que lhe pode oferecer uma vantagem sobre os concorrentes. Mas, lembre-se, tem de agir rápido.

2 Estabeleça uma parceria com o cliente. Há vários caminhos para o fazer. Tudo começa com dar-lhe várias opções. Hoje, os clientes têm muitas possibilidades de escolha. Eles já não têm de comprar durante os horários limitados das lojas ou usar telefones fixos. Eles até já podem escolher a companhia telefónica.
A possibilidade de escolher dá poder aos consumidores. Eles sabem que bens, serviços e promoções podem ser adequados a uma variedade de preferências individuais e exigem satisfação absoluta. Querem os produtos aqui e agora.
Torne a escolha transparente. Os clientes querem variedade de opções, mas não desejam ser oprimidos por ela.
Desenvolva uma estratégia de marketing baseada no diálogo. Já não pode dar-se ao luxo de usar as técnicas de marketing de massas numa era em que é possível oferecer um serviço personalizado. Os consumidores não querem ser classificados como alvos ou segmentos de mercado, grupos de pessoas com necessidades praticamente idênticas. Eles querem, isso sim, que lhes perguntem quais são as suas preferências, e esperam que essas preferências sejam respeitadas. Os consumidores de hoje querem ser tratados como parceiros.
Esse modelo de marketing de parceria reflecte uma mudança do monólogo para o diálogo ao lidar com os clientes. Alguns negócios já estabeleceram diálogos contínuos com os clientes. O estilista Emanuel Ungaro ouviu mais a opinião dos clientes do que a dos retalhistas para desenvolver uma linha de roupas femininas para profissionais descontraídas.

3Satisfaça o cliente, permitindo que ele se sirva sozinho. O que os clientes mais querem de um produto é o benefício e o serviço que ele lhes oferece. É por isso que todas as empresas, mesmo as industriais, são, cada vez mais, provedoras de serviço. Atendimento é um processo, não um evento. Você atende os clientes ao proporcionar-lhes um ambiente de informações, segurança e conforto. Isso significa estar permanentemente em sintonia com os clientes, abordar as suas necessidades e condições individuais e responder sem demora. Clientes sem tempo não gostam de esperar.
Quando entrega produtos prontamente ou ajuda o cliente a solucionar os seus problemas rapidamente, está a dizer-lhe que valoriza o tempo dele. Ferramentas como números de telefone de ligação gratuita e sites de produtos na Internet, que permitem ao visitante registar-se e comunicar consigo, não só ajudam a criar serviço de tempo real, mas também lhe dão a oportunidade de construir marcas.
Uma das melhores maneiras de servir o cliente é possibilitar que ele mesmo se sirva. As empresas telefónicas implantaram essa técnica há muito tempo, quando introduziram o sistema de comutação por discagem directa. De facto, quem faz a ligação torna-se o próprio operador do telefone. Hoje, os computadores, os softwares e as redes estão a transformar as pessoas em pesquisadores, editores, encarregados de pedidos e caixas de banco. A Internet é uma excelente ferramenta para os consumidores se atenderem a si próprios. Quem procura emprego candidata-se online a vagas anunciadas na rede.
Se quiser saber mais sobre determinada empresa, pode, com um clique do rato, navegar por dados financeiros, descrições de produtos, benefícios, mensagem do presidente, etc. Medias como a Internet, que deixam os clientes acederem a informações sozinhos, tornam o auto-serviço transparente. Os clientes atendem-se a si mesmos sem esforço, transformando a satisfação em auto-satisfação.

4 Crie uma rede interna para ligar os seus empregados. As redes internas das empresas, ou intranets, são uma ferramenta essencial se você deseja incorporar capacidades em tempo real na sua empresa. Essas redes são versões internas da Internet, que ligam as pessoas de uma organização
às suas informações.
Ao permitir que os gestores tenham acesso livre e dinâmico às informações, as intranets podem romper as barreiras entre as divisões dentro da empresa.
Pesquisas indicam que o trabalho interno em rede influencia de várias outras maneiras a interacção dos funcionários. As redes encorajam as pessoas a conversar de forma mais franca e os grupos em rede geram mais propostas de acção. As redes também têm um efeito democratizador. Um estudo revelou que as opiniões de pessoas com status mais elevado ficavam menos imponentes e recebiam menos atenção quando eram expressas por e-mail em vez da comunicação oral. A hierarquia não vai desaparecer numa organização totalmente conectada em rede, predizem os pesquisadores, mas as estruturas de tarefas vão tornar-se mais flexíveis e dinâmicas.

5 Esteja preparado para a incerteza. Uma transição bem sucedida para a cultura do novo marketing significa que você estará preparado para a possibilidade de acontecer qualquer coisa. Para alcançar essa transição, precisará de adequar a sua atitude e mudar os seus hábitos. Veja como.

  • Se já tem um número de telefone para a opinião do cliente, desenvolva um site na Internet. Se já tem um site, acrescente habilidades de transacção aos recursos de captação de dados.
  • Invista na tecnologia, para manter o seu site interessante e os seus clientes ligados à sua empresa.
  • Procure várias formas de se comunicar com os clientes. Qualquer informação que eles derem ajudá-lo-á a responder melhor às suas necessidades.
  • Consulte uma amostragem modesta de consumidores com frequência, para se ajustar rápida e continuamente.
  • É mais provável que uma série de pesquisas pequenas produza descobertas mais importantes do que um único levantamento grandioso.
  • Tem de começar por uma ponta. Coloque todos os seus empregados numa rede de e-mail, por exemplo. Seja o que for que você decidir, invista recursos e tempo suficientes para que a estratégia seja bem sucedida.
  • Use incentivos para impulsionar a sua companhia. Recompense as pessoas por se comunicarem e partilharem informações, por desenvolverem bancos de dados que dêem aos clientes maior acesso à sua companhia ou por trabalharem em casa.
  • Dê às pessoas computadores que possam usar em casa para se comunicarem umas com as outras, atender os clientes e responder a e-mails.
  • Não fique paralisado pelo medo de fracassar. O cliente permanentemente insatisfeito pode ser seu.

 

executivedigest - Dezembro 2000

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