|
Robertson
Davies (escritor, jornalista e professor, Canadá, 1913-1995), comentou na
Chicago Tribune Magazine em 4 de Outubro de 1992 :«Se um homem deseja ser do
maior valor possível para o seu próximo, então que dê início à longa e
solitária tarefa de aperfeiçoar-se a si próprio».
Os negócios na nova economia precisam de descobrir o sincronismo. Uma questão
de dar um novo significado a velhas ideias.
Todos sabemos que as modas vêm em ciclos e... o management terá forçosamente
de passar para um novo contexto. Ora isto exige sofisticação, reciprocidade,
participação e criatividade – os novos elementos mentais para a administração
dos negócios na nova economia. Para desenvolver «eus» capazes de lidar com
as forças evolutivas que nos atiram para o terceiro milénio, é imperioso
que nos familiarizemos mais com o funcionamento da mente.
Trabalhos enfadonhos, sistemas políticos opressivos ou excessivamente
permissivos, a falta de um código moral comum e de uma chefia digna de
confiança, oportunidades de ócio que fazem apelo ao menor denominador comum,
tudo isto contribui para um ambiente no qual é difícil aprender capacidades
complexas, com o resultado de que a entropia psíquica encontra por todo o
lado um terreno fértil onde crescer.
As qualidades pessoais não são a única razão pela qual uma pessoa se torna
mais poderosa do que outra. A sorte desempenha igualmente um papel importante.
Ter estado no lugar certo no momento certo explica, muitas vezes, por que
motivo este gestor se tornou num líder respeitado e presidente da empresa.
Podemos estar certos que teremos de fomentar:
• a intuição, para podermos adivinhar as mudanças antes que elas aconteçam;
• a empatia, para compreender aquilo que não pode ser claramente expresso;
• a sabedoria, para ver a relação entre acontecimentos aparentemente não
relacionados e
• a criatividade, para descobrir novas maneiras de definir os problemas,
novas regras que tornem possível adaptar-nos ao inesperado.
Na realidade, quando lutamos contra a entropia recebemos uma recompensa
imediata e muito concreta pelos nossos esforços: gostamos do que estamos a
fazer, momento a momento. O «eu» é inundado por um sentimento de exaltação
quando metemos mãos a uma tarefa que exige competências complexas, que
conduz a um objectivo difícil de atingir. Nesses momentos sentimos que, em
vez de sofrermos os efeitos de acontecimentos sobre os quais não temos minímo
controlo, estamos a criar as nossas próprias vidas.
Os
sentimentos que incluem concentração, absorção, envolvimento profundo,
alegria, uma sensação de realização, são aquilo que descrevemos como os
melhores momentos da nossa vida. Podem acontecer praticamente em qualquer
lugar, em qualquer altura, desde que a pessoa esteja a usar a energia psíquica
num padrão harmonioso.
Quando os desafios e as competências estão equilibrados, é possível à
pessoa experimentar uma sensação de controlo. Na vida quotidiana são inúmeras
as situações capazes de afectar-nos.
Ficamos concentrados e espontaneamente fazemos o que tem de ser feito, sem
esforço consciente.
Audácia e coragem para as batalhas a ganhar. As chefias do novo milénio
precisarão de ter cabeça e coração para as decisões de risco e rebeldia
corporativa q.b..
Repersonalizar o Management
Relacional
Um dos elementos banais do management de hoje é a importância da comunicação.
O problema está que, as mensagens dos programas de comunicação de empresas
não chegam, frequentemente, a passar e que o management é visto como coisa
passada. Os empregados afirmam convictos que o comunicador que eles preferem
é o seu chefe imediato – aquele que vêem a maior parte do tempo e com quem
a comunicação é mútua e frente-a-frente.
A perspectiva relacional põe em causa muita da teoria e prática
administrativa estabelecida, especialmente o pressuposto de que a organização
é definida pela sua estrutura formal e que a estratégia e estrutura devem
avançar juntas. A consequência disto é uma organização com uma estrutura
mais plana, com uma participação mais alargada dos empregados e uma maior
oportunidade para padrões de trabalho mais flexíveis do que poderia ser
noutro caso; isto permite que a agenda social seja partilhada pelos
accionistas e empregados de modo idêntico.
Os axiomas para o trabalho das chefias executivas nos próximos dez anos do
novo milénio incluirão provavelmente o seguinte:
• Criação de um propósito nas organizações em torno de como criar valor
para a sociedade.
• Desenvolvimento de novos tipos de relações com os accionistas,
empregados, clientes e com o mercado como um todo.
O crescimento das expectativas sociais está a impor uma nova
responsabilidade, às organizações e aos chefes executivos, diferente da que
enfrentaram no mercado tradicional.
Reciprocidade e participação
Peter Drucker afirmou na “Business 2.0” de 22/Agosto/2000 que, nos próximos
20 a 30 anos, os elementos sociais assumirão a liderança.
O que há de novo nisto?
Proponho o conceito de RP – reciprocidade e participação como um
qualificador na repersonalização do management relacional e criatividade
como um qualificador na estratégia do capital intelectual da organização:
as pessoas.
Na realidade, a função da chefia executiva para o novo milénio
será a de criar condições para que a organização se transforme numa
empresa criadora e transformadora de conhecimentos e relações. No ambiente
da nova economia, em que vivemos, a única certeza é a incerteza, a única
fonte segura de vantagem competitiva duradoura das empresas é o conhecimento
e as relações com as comunidades.
A criação do conhecimento requer experimentação e correr riscos, que
ampliam a capacidade de acção. A criação do conhecimento requer uma
integração de saber e fazer, de forma que as ideias possam ser testadas e as
capacidades humanas ampliadas.
Encontrar formas de valorar e medir o capital humano – qualificações,
capacidades e conhecimentos – é um passo importante na concentração da
atenção das chefias executivas na centralidade do seu pessoal para o seu
sucesso. Numa era de descontinuidades importantes, empregados, clientes e
investidores estão ansiosos por uma fonte de liderança intelectual.
Espera-se das chefias do novo milénio que possuam capacidade de previsão e
uma visão impulsionadora do futuro; uma força contagiante que motiva e
estimula a organização e a indústria.
Deverão manifestar a sensatez administrativa necessária para rapidamente
orientarem a organização através das mudanças dramáticas nas qualificações,
atitudes, comportamentos e modelos de negócios.
Neste quadro de elementos mentais e administrativos exigidos à chefia do novo
milénio, iremos encontrar uma organização estruturada com menos níveis
hierárquicos e os que funcionarem como canais de management relacional e
comunicação deverão ser altamente eficazes.
O recado está dado.
22 Dez 2000
Ó
Álvaro Monteiro / Samanário Económico
|