| Quando se
visita um país em negócios, é fundamental saber quais as
regras de etiqueta e protocolo para que um bom negócio não se
transforme num pesadelo. Saiba como agir |
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UMA VELHA
TRADIÇÃO DO POVO PORTUGUÊS É, sem dúvida,
«navegar por mares nunca dantes navegados». Conhecer outros povos,
outras culturas, outros hábitos. Interagir com outras formas de
pensar e de agir. É uma necessidade actual e sentida por todos. Não
existe actividade profissional que se possa isolar a si própria.
Diariamente, no mundo empresarial, efectuam-se inúmeros contactos
internacionais. Para superar dificuldades de comunicação não basta
dominar o idioma. É preciso ter cuidado com o que se diz, mas também
com o que se faz. Em alguns países, apontar com um dedo ou andar com
as mãos nos bolsos é sinal de má educação. Na China, nunca se deve
olhar, mais de um segundo, para os olhos da pessoa com quem se fala,
a menos que o propósito seja embaraçá-lo. Existem verdadeiras
normas de um código, muitas vezes não escrito, cujo desconhecimento
pode deitar a perder toda uma estratégia de internacionalização. A
atenção que se tem tido com o valor das relações humanas, dos seus
requisitos, manifestações e rituais levou a um interesse crescente
pelas questões do protocolo, traduzido no número cada vez maior de
empresas que recorrem à consultoria nesta área antes de lançarem os
seus quadros num novo mercado. Assim, antes de iniciar uma
estratégia de internacionalização, parece fundamental conhecer
antecipadamente um pouco da realidade cultural dos parceiros com
quem vai começar a lidar. «O mercado é o mundo», tal como disse
Adriano Freire. E esse mundo transformou-se numa aldeia global.
Negociar dentro desta pequena imensidão é uma arte que pode ser
melhorada com o conhecimento dos usos e costumes, de tabos, de
fórmulas de tratamento e cumprimento, de estratégias de negociação e
dos diversos graus de hospitalidade dos diversos povos. Quanto mais
formal for um país, mais importante é conhecer e cumprir os rituais
protocolares, para eliminar as interferências no ciclo de
comunicação. Todas as culturas são únicas; cada país é um caso
particular. Se pretende conhecer pormenorizadamente as regras de
protocolo oficial, deverá contactar a embaixada ou a câmara de
comércio do país em causa. Agora, sim, confira os países que
escolhemos do livro Imagem e Internacionalização — Como Ter Êxito no
Mercado Global, de Isabel Amaral.
África do
Sul É uma sociedade
multirracial, onde existem regras rígidas sobre a convivência de
raças e etnias que não são fáceis de detectar sem perguntar aos seus
anfitriões. No mundo dos negócios, o aperto de mão é o cumprimento
tradicional, mas como existem muitas etnias, poderá ser mais ou
menos firme. A maioria das pessoas deve ser tratada pelo título
(Doctor, President, etc.), seguido do apelido. Caso não tenha
título, trate por Mr., Mrs. ou Miss. Não discuta temas como a
violência, a insegurança ou o racismo. A negociação deve ser feita
de igual para igual. É preciso tempo para negociar, porque os
Sul-Africanos não gostam de se sentir pressionados e preferem perder
um negócio a decidir apressadamente.
PRINCÍPIOS
Princípios
que não variam com o tempo ou com o lugar: -
Informar-se sobre os usos e costumes dos seus
interlocutores. Informação é poder! - Ter
sempre em mente que as primeiras impressões são as
que prevalecem. - Eliminar as interferências na
comunicação. Se não domina a língua, faça-se
acompanhar de um intérprete. - Saber de antemão
o estatuto da pessoa com quem vai lidar. -
Dominar as técnicas de negociação. - Persuadir
sem impor. - Saber receber e ser
recebido. | | |
Brasil Com cerca de 146 milhões de habitantes, é difícil
falar de uma só cultura brasileira. Têm uma herança cultural muito
rica e diversa, o que talvez explique o facto de serem um povo mais
analítico que outros povos latino-americanos. A casa e a família
são assuntos privados, que não se misturam com os negócios.
Prepare-se para esperar, pois ninguém cumpre horários. Deve apertar
a mão a todos os presentes. Mesmo que os anfitriões discutam um
escândalo ou um assunto político, abstenha-se de qualquer tipo de
opinião. Para investir no Brasil é necessário fazê-lo a longo prazo,
tanto em termos de dinheiro como de tempo. Para fechar negócio,
certamente terá de visitar este país mais uma ou duas vezes. A
aparência conta muito; tanto os homens como as mulheres devem evitar
cores como o amarelo e o verde (são as cores da bandeira
nacional).
China É uma
das civilizações mais antigas, onde se preza a harmonia e o
consenso; logo, ser agressivo ou brutal é um erro fatal. Revelar
desconhecimento é uma vergonha. São um povo muito colectivista, e
esta filosofia influencia qualquer negociação. O importante é o bem
do grupo ou da organização. Os rituais, a etiqueta e o protocolo são
fundamentais. A etiqueta chinesa proibia qualquer tipo de contacto
físico; actualmente, o cumprimento é um simples aperto de mão. Os
temas controversos são os direitos humanos, para além de sexo ou
política. Deve esperar que o seu anfitrião lhe pergunte de que quer
falar antes de entrar no assunto. As negociações são longas e
precedidas de muito chá e simpatia. Para negociar neste país precisa
de um convite explícito de uma empresa chinesa. Só assim consegue o
visto indispensável.
Estados Unidos da
América A cultura
dominante é muito etnocêntrica e individualista. A política
internacional é menos importante que a nacional, local ou regional.
Consequentemente, não são muito apologistas das relações com o
exterior. Falam de si próprios, da sua vida profissional e privada
com grande liberdade. As apresentações seguem as mesmas regras que
na Europa. Ao ser apresentado basta dizer «How do you do?». E passam
rapidamente ao tratamento pelo primeiro nome. As negociações têm um
ritmo acelerado e as reuniões são preparadas cuidadosamente. Não
gostam de small talk, vão directos ao assunto. Os negociadores
deverão estar preparados para este tipo de negociação, dando
especial ênfase às vantagens financeiras do negócio, visto serem
normalmente o ponto fulcral.
MODELOS
DE NEGOCIAÇÃO
INTERNECIONAL
| Existem quatro modelos básicos de
negociação internacional: o norte-americano, o
europeu, o japonês e o
africano. |
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o que mais
valoriza
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| Norte
Americano |
Alvo; tempo; franqueza;
ética. |
Europeu (Norte) |
Técnica; qualidade;
pontualidade. |
Europeu
(Sul) |
Conhecimento pessoal; confiança;
palavra. |
| Japonês |
Hierarquia; consenso; harmonia do
grupo. |
| Africano |
Continuidade; tradição;
cooperação. | | | |
Espanha Em Espanha, todos são iguais porque cada um é único.
Mas uma das características que salta logo à vista é o orgulho
nacionalista. Quanto aos cumprimentos, os homens apertam a mão entre
si, as mulheres dão dois beijos na cara. Segundo os livros de
etiqueta, deve dizer-se «Encantado!» ou «Es un placer!» quando nos
apresentam a alguém. Devem tratar-se as pessoas pelo apelido,
precedido de Señor, Señora ou Señorita. Se tiverem um cargo ou um
título académico, este deve também ser usado: Señor Ingeniero,
Profesor Dias, por exemplo. Evite falar de terrorismo, de política,
religião e vida privada. As aparências são importantes para definir
o seu estatuto. Deve ir bem vestido, falar com segurança e
fluentemente. É fundamental conquistar a confiança dos seus
parceiros e estabelecer com eles um relacionamento sólido antes da
concretização do negócio. Os Espanhóis não costumam partilhar
informação, pois consideram que o segredo é a alma do negócio.
Assim, as negociações são demoradas e o seu ritmo é bastante lento.
Tente apresentar uma proposta detalhada e pragmática, de forma a
vencer a resistência dos interlocutores.
França São um povo que se tem em grande apreço. Levam muito
a sério as regras de protocolo e dão muita importância às
aparências. A cada pessoa que lhe é apresentada deverá apertar a
mão. Trate o seu interlocutor por Monsieur ou Madame, sem
acrescentar o apelido. Os primeiros contactos são sempre
cerimoniosos. Questões raciais, religiosas e políticas devem ser
evitadas. A pontualidade é fundamental, porque é considerada uma
regra de cortesia. Apreciam debater ideias, mas dificilmente aceitam
informações que colidam com o seu modelo cultural. Planeie o que vai
dizer, para fazer uma apreciação concisa e convincente, mostrando
argúcia e perspicácia. Utilize a linguagem corporal, olhe-os nos
olhos... conseguir manter contacto é muito importante. Pode e deve
interromper o seu interlocutor; ter a resposta pronta e falar com
subtileza são qualidades muito apreciadas.
Itália São um povo muito heterogéneo, sendo o denominador
entre todos o papel predominante da família na sociedade. O lema em
qualquer ponto do país é «a família acima de tudo». Assim, no
processo de decisão, os interesses da família ou da organização
prevalecem. Existe uma enorme formalidade no tratamento social.
Nunca apareça sem avisar. O estilo de negociação é mais informal no
Norte que no Sul. O ritmo das negociações depende da importância do
contrato e a sua apresentação deve ser o mais breve possível. A
aparência conta muito, vista-se com elegância e sobriedade. Ao
entrar numa sala de reunião, deve apertar a mão a todos os
presentes, e à saída deverá fazer o mesmo. Os Italianos preferem
negociar com pessoas que já conhecem, por isso convém arranjar um
representante local que o apresente a todos.
Japão Todos os pormenores contam. É mais importante ser
conhecido que conhecedor. Se tiver um representante local, tudo fica
mais fácil. A privacidade é muito apreciada; não toque ninguém no
braço, não dê apertos de mão muito fortes, nem se aproxime de mais
dos seus interlocutores durante as negociações. A base da etiqueta
japonesa é o respeito pelas hierarquias. Ser pontualíssimo é uma
regra a cumprir. As aparências são muito importantes. Assim, o
vestuário deve ser formal, a atitude serena e os gestos comedidos. É
fundamental investir num relacionamento profissional. A paciência e
a serenidade são duas virtudes muito admiradas. Aprenda algumas
frases em japonês; serão bastante apreciadas. O cumprimento
tradicional é uma longa vénia: se for homem, cumprimente baixando os
olhos e fazendo uma vénia, dobrando o corpo para a frente a partir
da cintura, com as costas e o pescoço hirtos e os braços deslizando
ao longo do corpo; se for mulher, incline-se da mesma forma, mas
cruzando os braços de forma a ficar com as mãos cruzadas sobre as
coxas.
Macau Aos Macaenses é-lhes
exigido o cumprimento da etiqueta chinesa, mas aos estrangeiros não.
É no entanto fundamental tentar compreender alguns princípios
básicos desta cultura para conseguir adaptar-se ao modo de vida
oriental e atingir os objectivos comerciais pretendidos. Acham mais
civilizado dizer as coisas de uma forma indirecta, simbólica ou
sugestiva, porque assim é mais fácil evitar a interferência de
sentimentos. Ao cumprimentar, deve apertar a mão de quem lhe é
apresentado e acenar com a cabeça. Trata-se essa pessoa pelo apelido
ou pela designação na hierarquia familiar ou profissional. As
negociações levam o seu tempo, entre uma atitude e uma resposta é
necessário reflectir e ponderar os significados do que foi
dito.
Reino
Unido Os Ingleses são acérrimos
defensores da liberdade individual e por isso reconhecem o direito à
má criação, dentro de limites. Não corrigem nem chamam a atenção
para as falhas, mas evitam contacto com pessoas mal-educadas. O
cumprimento no mundo dos negócios é o aperto de mão. Sendo uma
monarquia, o protocolo é mais rígido nas classes altas, sendo
imprescindível conhecer o estatuto social do interlocutor. Evite
falar de política, religião e problemas de saúde (bem como de vacas
loucas). A pontualidade é seguida à risca. As reuniões começam
sempre com small talk e visam um trabalho de equipa. Todos devem
contribuir com a sua opinião e as discussões de pontos de vista
divergentes são vistas com naturalidade. Pequenos sorrisos e sinais
com a cabeça serão encarados como atitudes positivas e de
encorajamento à conversação. ed |