Sobre o Cronista:
Eng. Emanuel António Casquilho Capote

Emanuel António Casquilho Capote, é Engenheiro Electrotécnico especializado na área de Informática. Tem vindo a desenvolver a sua actividade neste domínio como Professor assistente no Ensino Superior, assim como nos quadros da Escola Secundária de Pinhal do Rei.

Para além de um imenso trabalho desenvolvido em áreas formativas e de intervenção cultural, é neste momento o Coordenador Distrital do Programa Nacional de Educação Para a Segurança e Saúde no Trabalho (PNESST), no Instituto Para o Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).

Eng. Emanuel A. C. Capote

CONTACTOS: Emanuel Capote
Tema:
Um olhar sobre os problemas ligados ao ÁLCOOL (1ª parte)

Para que não diga que não sabe, ou ignora, ou simplesmente menospreza estes conhecimentos pela falsa ilusão que o prazer do álcool  proporciona . . . ! 

Leia & Pense ! ! !

INTRODUÇÃO

 A ‘Água’ é um dos componentes mais importantes do nosso corpo.

Faz parte de milhões de células do nosso organismo, constituindo por exemplo, parte importante do sangue e da linfa.

            Todas as reacções químicas do nosso corpo têm lugar apenas na presença de água, sendo por isso a única bebida indispensável à vida.

         Todos os dias são perdidos 2 a 3 litros de água pela urina, ar expirado e transpiração. A eliminação pode ainda ser maior no caso de temperaturas elevadas ou de actividade física intensa.

            As perdas de água são compensadas pela água que faz parte dos alimentos que ingerimos e principalmente pela água das bebidas.

            Por tudo isto, as bebidas são um dos elementos mais importantes de uma alimentação que se pretende saudável.

            Repare-se por exemplo : um indivíduo de 65kg, tem no seu corpo 43 kg de água!

            Dá que pensar ! ! !

A ÁGUA

              A água é uma bebida excelente.

Pode ser com e sem gás, de mesa, minero-medicinal, da ‘torneira’, desde que os padrões de qualidade exigíveis sejam respeitados, é simplesmente excelente e sobretudo hidratante.

Beber água abundantemente, fora e durante as refeições, contribui para uma boa nutrição.

Água com limão, certos ‘chás’ (sem propriedades excitantes) de tília, cidreira, camomila, frutos, etc., são certamente bebidas hidratantes.

O leite, fornecedor de nutrientes essenciais, proteínas, vitaminas, cálcio e fósforo, assim como os seus “substitutos” como iogurtes, entre outros, possuem neste domínio qualidades alimentares fabulosas.

Os sumos naturais de frutos, são também óptimas bebidas alimentares, ricos em vitamina C, água, sais minerais e frutose.

            Neste grupo, não se incluem os refrigerante e as “coca-colas”, pelo o seu elevado teor de açúcar (sacarose) e pela presença de ‘gás’ em muitos deles.

            O café e o chá “preto” ou “verde”, pelo facto de exercerem uma acção excitante sobre o sistema nervoso, podem causar efeitos negativos, devendo desta forma ser tomados moderadamente.

            Nem tudo o contém água em abundância é bom ! ! !

AS  BEBIDAS  ALCOÓLICAS

 As bebidas alcoólicas são simplesmente as bebidas que contém álcool.

O álcool das bebidas alcoólicas, não é mais do que o álcool que por exemplo se encontra nas farmácias, cujo nome científico é álcool etílico ou etanol, líquido incolor, volátil a  78,5ºC, de sabor ardente, cheiro característico e sem absolutamente nenhum valor nutritivo para o ser humano.

E estas bebidas contém diferentes teores de álcool, podendo assim distinguir-se dois grandes grupos de bebidas, de acordo com a quantidade de álcool e o seu processo de fabrico :

-                           Bebidas Alcoólicas Fermentadas : São obtidas a partir de fermentação de açucares constituintes dos frutos como, por exemplo, a frutose e a glicose, por acção de microorganismos chamados leveduras. Estas bebidas podem obter-se a partir de frutos, cereais, grãos, tubérculos e cactos.

-                           Bebidas  Alcoólicas  Destiladas : São obtidas através da destilação (bagaço, vinho, etc.), dando origem a bebidas com maior percentagem de álcool como, por exemplo, a aguardente, o whisky, o gin, o vodka, o brandy, e outras... 

METABOLISMO DO ÁLCOOL

Quando se consome uma bebida alcoólica, o álcool que esta contém passa em pouco tempo para o sangue, sendo esta absorção tanto mais rápida quanto mais concentrada é a bebida em termos de conteúdo alcoólico.

O álcool é então transportado pelo sangue ao fígado, onde inicia a sua lenta degradação. É assim principalmente no fígado que se faz a metabolização (“queima”) do álcool (95%). De resto, o sangue com álcool procede a sua circulação atingindo o coração, rins, pulmões, cérebro, membros superiores e inferiores, bem como todas as outras partes do corpo.

Para além da “queima” efectuada pelo fígado, o restante álcool é eliminado pelos pulmões (ar expirado), pelos rins (urina), e pela pele (transpiração).

No entanto, entenda-se que, apesar da maior parte do álcool ser “queimado” no fígado, este pode não ter capacidade para destruir toda e qualquer quantidade de álcool que lhe chegue . . . , daí : 

ALCOOLISMO

            Numa ingestão de grandes quantidades de álcool, por exemplo, num dia, os efeitos do álcool dependem da sua concentração no sangue e da sua acção sobre o sistema nervoso central e os outros órgãos.

            Os efeitos imediatos de uma intoxicação aguda ou ”embriaguez” (alcoolismo agudo), conduzem a perturbações físicas e mentais tais como, excitação psíquica, euforia, diminuição da atenção e ansiedade, podendo evoluir para alterações da coordenação motora, do equilíbrio e posteriormente náuseas, vómitos, taquicardia,  confusão, sono profundo, coma e eventualmente a morte.

            Acreditemos ou não, o álcool é de facto um sério inimigo e um risco, por exemplo no trabalho, na condução e nas relações pessoais.

            Vejamos então em termos de concentração –taxa de alcoolémia- (g / l – gramas de álcool por litro de sangue), os seus efeitos (alcoolémia) : 

-                           0 a 0.5 – pouco aparentes – alterações da visão, erros de cálculo das distâncias, perturbações da adaptação à luz, dificuldades de concentração. 

-                           0.5 a 0.8 – excitação ligeira, alterações motoras, atraso nos tempos de reacção, vigilância diminuída. 

-                           0.8 a 1.5 – reflexos progressivamente modificados, excitação psicomotora, comportamentos alterados. 

-                           1.5 a 3 – perturbações da marcha e da linguagem, visão dupla, ”embriaguez” evidente. 

-                           3  a  5 – “embriaguez” profunda, anestesia, pré-coma. 

-                           > 5  - estado de “coma”, podendo levar à morte ! 

ALCOOLÉMIA

            Conforme referido, a taxa de alcoolémia não é mais do que a quantidade de álcool existente no sangue de um indivíduo, num determinado momento, e expressa-se em gramas de álcool por litro de sangue.

            Assim, quando se fala de alcoolémia de 0.5 g / l, é o mesmo que dizer que existem 0.5 gramas de álcool por litro de sangue.

            Esta taxa é muito facilmente atingida, por exemplo, após a ingestão de 2 copos de vinho ou 1/2 litro de cerveja . . . !

            A presença de álcool no sangue, não mais do que a indicação de que o álcool se espalhou em todo o corpo, e particularmente nos órgãos mais abundantemente irrigados, como o fígado, os pulmões e o cérebro.

            Curiosamente, ao contrário dos nutrientes, o álcool não pode ser armazenado, sendo por isso destruído nas horas seguintes à sua ingestão.

            De uma forma geral, a alcoolémia aumenta à medida que aumenta a absorção a nível digestivo, e diminui lentamente de acordo com a degradação do álcool pelo fígado.

            A alcoolémia depende de numerosos factores e varia : 

-                           em função da quantidade ingerida, mas também do grau alcoólico da bebida : bebidas mais ricas em álcool provocam alcoolémias superiores. 

-                           em função do momento de absorção : é cerca de 1/3 mais elevada se a bebida for tomada em jejum. 

-                           em função do ritmo de absorção : o consumo rápido e maciço acelera o aumento da alcoolémia.  

-                           segundo os indivíduos : a susceptibilidade individual intervém e uma mesma dose não tem o mesmo efeito sobre todos os indivíduos; normalmente a alcoolémia é mais elevada quanto menor for o peso do indivíduo. 

ÁLCOOL  &  COMPORTAMENTO

 . FALSOS  CONCEITOS 

-                           O Álcool não aquece : o álcool faz com que o sangue venha do interior do organismo à superfície da pele, dando a sensação de calor, mas esta deslocação do sangue provoca uma perda de calor interno, prejudicando o funcionamento de todos os órgãos. 

-                           O Álcool não mata a sede : a sensação de sede significa necessidade de água. Quando se toma uma bebida alcoólica, uma considerável quantidade de água, que faz falta ao organismo, sai pela urina, aumentando assim a necessidade de água no corpo, logo : a sede! 

-                           O Álcool  não dá força : o álcool tem de facto um acção excitante, que disfarça o cansaço do trabalho físico ou intelectual intenso, dando a ilusão de voltarem as forças mas, depois, o cansaço é a dobrar, porque o álcool gastou energias ao ser “queimado” no fígado. . . ! 

-                           O Álcool não ajuda a digestão e não abre o apetite : os movimentos do estômago passam a ser muito mais rápidos e os alimentos passam para o intestino sem estarem devidamente digeridos, dando a sensação de estômago vazio. O resultado é a falta de apetite e o aparecimento de gastrites e de úlceras. 

-                           O Álcool não é um alimento : simplesmente não é um nutriente porque apenas produz calorias inúteis (vazias) para os músculos e não serve para o funcionamento das células. Contrariamente aos verdadeiros nutrientes, ele não ajuda na edificação, construção e reconstrução do organismo. 

-                           O Álcool não é um medicamento : aliás é exactamente o contrário de um medicamento, provoca apenas uma excitação e anestesia passageiras, que podem “abafar”, durante algum tempo, dores ou sensações de mal-estar, acabando por ter consequências ainda mais graves.  

GRUPOS DE RISCO  &  REGRAS DE MODERAÇÃO

               As crianças e adolescentes, antes dos 14-15 anos, são potenciais grupos de risco.

Nestas idades, qualquer quantidade de álcool, por menor que seja, é suficiente para prejudicar o funcionamento de capacidades em pleno desenvolvimento, como por exemplo, a memória, o raciocínio, a atenção . . .

Da mesma forma, os órgãos e estruturas do sistema nervoso são, nesta fase do seu crescimento, muito mais sensíveis ao álcool do que no adulto. 

Ao  nível dos adultos, a própria ‘Lei Portuguesa’, por exemplo, proíbe qualquer indivíduo de conduzir com taxas de álcool superiores a 0.5 g/l (por enquanto).

Contudo, isto não significa que alcoolémias inferiores a esta taxa sejam inofensivas ! 

Os idosos, pessoas com problemas de natureza psíquica, entre outros casos, são claramente grupos de risco, para os quais como cidadãos deveremos estar particularmente atentos. 

Assim, e eventualmente com toda a controvérsia que este artigo possa suscitar, aqui apresento algumas regras de moderação relativas ao consumo de álcool :

DEVEM  DIZER  NÃO  ÀS  BEBIDAS  ALCOÓLICAS : 

  -  crianças e jovens até aos 17 anos de idade. 

                 -  mulheres grávidas e a amamentar. 

                                -  pessoas durante o trabalho e a condução rodoviária. 

-  doentes alcoólicos tratados.  

       PODEM  DIZER  SIM  ÀS  BEBIDAS ÁLCOÓLICAS:        

         - indivíduos adultos saudáveis que poderão fazê-lo em doses moderadas.

             - o adulto não deve ultrapassar 1/4 de litro de vinho ou duas cervejas, repartidas pelas 2 principais refeições.      

- a ingestão de bebidas alcoólicas destiladas (conforme referido), deve ser uma situação excepcional. 

Note-se que :

 “A  ORGANIZAÇÃO   MUNDIAL   DE   SAÚDE”

Considera sem risco, os consumos de álcool abaixo de 20 g de álcool por dia.   

O  ÁLCOOL  EM  PORTUGAL

  Portugal é um país produtor e exportador de bebidas alcoólicas, principalmente vinho (8º produtor mundial) e também um dos países do mundo onde se consome mais álcool puro. . . !

No ano de 2000, foram aproximadamente 11 litros de álcool a quantidade ingerida por cada português.

 O consumo de vinho em Portugal tem diminuído significativamente, mas o consumo de cerveja e de bebidas destiladas tem aumentado de forma preocupante, pelo que, na globalidade, o consumo de álcool puro se mantém muito elevado.

Por outro lado, assiste-se a uma grande mudança nos padrões e hábitos de consumo de bebidas alcoólicas, principalmente à custa dos jovens que bebem mais cerveja e bebidas destiladas, calculando-se que mais de 60 % dos jovens consomem bebidas alcoólicas.

 Estima-se que em Portugal, exista cerca de um milhão de bebedores excessivos, setecentos mil alcoólicos e que uma grande percentagem da população tenha problemas com o álcool nos empregos, no ambiente familiar, na sociedade e com as autoridades, devido ao consumo “inoportuno” ou excessivo

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 Todos reconhecemos que o uso de bebidas alcoólicas é habitual na quase totalidade das famílias portuguesas e por isso, facilmente constatamos a evidência de que, em Portugal, de forma directa ou indirecta, os problemas ligados ao consumo de álcool, confrontam naturalmente o quotidiano de cada um de nós enquanto cidadãos.

Vai aqui então o nosso alerta :

Beber . . . tudo bem !?  Mas com moderação.

A vida pode ser muito devertida sem álcool.

Quanto aos jovens, não é certamente por beber que se tornam mais homens ou mulheres.

Quanto aos adultos, certo é que, quem bebe excessiva e continuamente, mais cedo ou mais tarde vai ter problemas.

Tenham calma com isto do álcool ! ! !

E sobretudo não se esqueçam :  

Menos Álcool , Mais Saúde , Mais VIDA !

            Nota: Na próxima crónica (2ª parte), irei continuar a abordar o problema do “Um olhar sobre os problemas ligados ao Álcool”, agora numa perspectiva mais abrangente, nomeadamente no que diz respeito aos seus sintomas e consequências. Um bem-haja para todos!

 

Fontes de Consulta:
 

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... Sol nascente que, já por montes e vales, ia desdobrando, em fulgurações de oiro, o seu régio manto de luz. Gotas de orvalho, quais lágrimas de cristal, que a noite tinha derramado por sobre a Natureza, iam secando às primeiras carícias da madrugada...

Francisco T. Feteira



Pobre de quem sofre, ausente,
sem amizades leais,
pois longe da nossa gente
doi-nos a dor muito mais.

José Loureiro Botas

 


Quero-te mais do que à vida;
Quero-te mais do que aos meus
E, se não fôsse pecado,
Querer-te-ia mais que a Deus.

Ilídio Pereira Carvalho
 
 


Quero-te mais do que à vida;
Quero-te mais do que aos meus
E, se não fôsse pecado,
Querer-te-ia mais que a Deus.

Ilídio Pereira Carvalho
 

 

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