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Para que não
diga que não sabe, ou ignora, ou simplesmente menospreza
estes conhecimentos pela falsa ilusão que o prazer do
álcool proporciona . . . !
Leia &
Pense ! ! !
INTRODUÇÃO
A ‘Água’
é um dos componentes mais importantes do nosso corpo.
Faz parte de milhões de
células do nosso organismo, constituindo por exemplo,
parte importante do sangue e da linfa.
Todas as reacções
químicas do nosso corpo têm lugar apenas na presença de
água, sendo por isso a única
bebida
indispensável
à
vida.
Todos os dias são
perdidos 2 a 3 litros de água pela urina, ar expirado e
transpiração. A eliminação pode ainda ser maior no caso
de temperaturas elevadas ou de actividade física
intensa.
As perdas de água
são compensadas pela água que faz parte dos
alimentos
que ingerimos e principalmente pela
água das bebidas.
Por tudo isto, as
bebidas são um dos elementos mais importantes de uma
alimentação
que se pretende saudável.
Repare-se por
exemplo : um indivíduo de 65kg, tem no seu corpo 43 kg
de água!
Dá que pensar ! !
!
A ÁGUA
A água é
uma bebida excelente.
Pode ser com e sem gás, de
mesa, minero-medicinal, da ‘torneira’, desde que os
padrões de qualidade exigíveis sejam respeitados, é
simplesmente excelente e sobretudo
hidratante.
Beber água abundantemente,
fora e durante as refeições, contribui para uma boa
nutrição.
Água com limão, certos ‘chás’
(sem propriedades excitantes) de tília, cidreira,
camomila, frutos, etc., são certamente bebidas
hidratantes.
O
leite,
fornecedor de nutrientes essenciais, proteínas,
vitaminas, cálcio e fósforo, assim como os seus
“substitutos” como iogurtes, entre outros, possuem neste
domínio qualidades alimentares fabulosas.
Os
sumos
naturais de frutos, são
também óptimas bebidas alimentares, ricos em
vitamina C,
água, sais minerais e frutose.
Neste grupo,
não se incluem
os refrigerante e as “coca-colas”, pelo o seu elevado
teor de açúcar (sacarose) e pela presença de ‘gás’ em
muitos deles.
O
café e o
chá “preto” ou “verde”,
pelo facto de exercerem uma acção excitante sobre o
sistema nervoso, podem causar efeitos negativos, devendo
desta forma ser tomados moderadamente.
Nem tudo o contém
água em abundância é bom ! ! !
AS
BEBIDAS ALCOÓLICAS
As
bebidas alcoólicas são
simplesmente as bebidas que contém
álcool.
O álcool das bebidas
alcoólicas, não é mais do que o álcool que por exemplo
se encontra nas
farmácias,
cujo nome científico é
álcool
etílico ou
etanol,
líquido incolor, volátil a 78,5ºC, de sabor ardente,
cheiro característico e
sem absolutamente nenhum
valor nutritivo para o ser humano.
E estas bebidas contém
diferentes teores de álcool, podendo assim distinguir-se
dois
grandes grupos de bebidas, de acordo com a quantidade de álcool e o seu processo de fabrico :
-
Bebidas Alcoólicas Fermentadas :
São obtidas a partir de fermentação de açucares
constituintes dos frutos como, por exemplo, a frutose e
a glicose, por acção de microorganismos chamados
leveduras. Estas bebidas podem obter-se a partir de
frutos, cereais, grãos, tubérculos e cactos.
-
Bebidas Alcoólicas Destiladas :
São obtidas através da
destilação (bagaço, vinho, etc.), dando origem a bebidas
com maior percentagem de álcool como, por exemplo, a
aguardente, o whisky, o gin, o vodka, o brandy, e
outras...
METABOLISMO DO ÁLCOOL
Quando se consome uma bebida
alcoólica, o álcool que esta contém passa em pouco tempo
para o sangue, sendo esta absorção tanto mais rápida
quanto mais concentrada é a bebida em termos de conteúdo
alcoólico.
O álcool é então transportado
pelo sangue ao fígado,
onde inicia a sua lenta degradação. É assim
principalmente no fígado que se faz a
metabolização (“queima”)
do álcool (95%). De resto, o sangue com álcool procede a
sua circulação atingindo o coração, rins, pulmões,
cérebro, membros superiores e inferiores, bem como todas
as outras partes do corpo.
Para além da “queima”
efectuada pelo fígado, o restante álcool é eliminado
pelos pulmões (ar expirado), pelos rins (urina), e pela
pele (transpiração).
No entanto, entenda-se que,
apesar da maior parte do álcool ser “queimado” no
fígado, este pode não ter capacidade para destruir toda
e qualquer quantidade de álcool que lhe chegue . . . ,
daí :
ALCOOLISMO
Numa ingestão de
grandes quantidades de álcool, por exemplo, num dia, os
efeitos do álcool dependem da sua concentração no sangue
e da sua acção sobre o sistema nervoso central e os
outros órgãos.
Os efeitos imediatos
de uma
intoxicação aguda ou
”embriaguez” (alcoolismo agudo),
conduzem a perturbações físicas e mentais tais como,
excitação psíquica, euforia, diminuição da atenção e
ansiedade, podendo evoluir para alterações da
coordenação motora, do equilíbrio e posteriormente
náuseas, vómitos, taquicardia, confusão, sono profundo,
coma e eventualmente a morte.
Acreditemos ou não, o álcool é de facto um
sério inimigo e um risco, por exemplo no trabalho, na
condução e nas relações pessoais.
Vejamos então em termos de concentração –taxa
de alcoolémia- (g
/ l – gramas de álcool por litro de sangue),
os seus efeitos (alcoolémia)
:
-
0 a 0.5
– pouco aparentes – alterações da visão, erros de
cálculo das distâncias, perturbações da adaptação à luz,
dificuldades de concentração.
-
0.5 a 0.8
– excitação ligeira, alterações motoras, atraso nos
tempos de reacção, vigilância diminuída.
-
0.8
a 1.5 – reflexos
progressivamente modificados, excitação psicomotora,
comportamentos alterados.
-
1.5
a 3 – perturbações da
marcha e da linguagem, visão dupla, ”embriaguez”
evidente.
-
3 a 5
– “embriaguez” profunda, anestesia, pré-coma.
-
> 5
- estado de “coma”, podendo
levar à morte !
ALCOOLÉMIA
Conforme referido, a
taxa de
alcoolémia não é mais
do que a quantidade de álcool existente no sangue de um
indivíduo, num determinado momento, e expressa-se em
gramas de álcool por litro de sangue.
Assim, quando se fala de alcoolémia de 0.5 g
/ l, é o mesmo que dizer que existem 0.5 gramas de
álcool por litro de sangue.
Esta taxa é muito facilmente atingida, por
exemplo, após a ingestão de 2 copos de vinho ou 1/2
litro de cerveja . . . !
A presença de álcool no sangue, não mais do
que a indicação de que o álcool se espalhou em todo o
corpo, e particularmente nos órgãos mais abundantemente
irrigados, como o fígado, os pulmões e o cérebro.
Curiosamente, ao contrário dos nutrientes, o
álcool não pode ser
armazenado, sendo por
isso destruído nas
horas seguintes à sua ingestão.
De uma forma geral, a
alcoolémia
aumenta à medida que aumenta a absorção a nível
digestivo, e diminui lentamente de acordo com a
degradação do álcool pelo fígado.
A alcoolémia
depende de numerosos factores e varia :
-
em função da
quantidade ingerida, mas também do grau alcoólico da
bebida : bebidas mais ricas em álcool provocam
alcoolémias superiores.
-
em função do
momento de absorção : é cerca de 1/3 mais elevada se a
bebida for tomada em jejum.
-
em função do
ritmo de absorção : o consumo rápido e maciço acelera o
aumento da alcoolémia.
-
segundo os
indivíduos : a susceptibilidade individual intervém e
uma mesma dose não tem o mesmo efeito sobre todos os
indivíduos; normalmente a alcoolémia é mais elevada
quanto menor for o peso do indivíduo.
ÁLCOOL
& COMPORTAMENTO
.
FALSOS CONCEITOS
-
O Álcool não
aquece : o álcool
faz com que o sangue venha do interior do organismo à
superfície da pele, dando a sensação de calor, mas esta
deslocação do sangue provoca uma perda de calor interno,
prejudicando o funcionamento de todos os órgãos.
-
O Álcool não
mata a sede : a
sensação de sede significa necessidade de água. Quando
se toma uma bebida alcoólica, uma considerável
quantidade de água, que faz falta ao organismo, sai pela
urina, aumentando assim a necessidade de água no corpo,
logo : a sede!
-
O Álcool não
dá força : o álcool tem de facto um acção excitante, que disfarça o cansaço do
trabalho físico ou intelectual intenso, dando a ilusão
de voltarem as forças mas, depois, o cansaço é a dobrar,
porque o álcool gastou energias ao ser “queimado” no
fígado. . . !
-
O Álcool
não ajuda a digestão e não abre o apetite :
os movimentos do estômago passam a ser muito mais
rápidos e os alimentos passam para o intestino sem
estarem devidamente digeridos, dando a sensação de
estômago vazio. O resultado é a falta de apetite e o
aparecimento de gastrites e de úlceras.
-
O Álcool não
é um alimento :
simplesmente não é um nutriente porque apenas produz
calorias inúteis (vazias) para os músculos e não serve
para o funcionamento das células. Contrariamente aos
verdadeiros nutrientes, ele não ajuda na edificação,
construção e reconstrução do organismo.
-
O Álcool
não é um medicamento :
aliás é exactamente o contrário de um medicamento,
provoca apenas uma excitação e anestesia passageiras,
que podem “abafar”, durante algum tempo, dores ou
sensações de mal-estar, acabando por ter consequências
ainda mais graves.
GRUPOS DE
RISCO & REGRAS DE MODERAÇÃO
As crianças e
adolescentes, antes dos 14-15 anos,
são potenciais grupos de risco.
Nestas idades, qualquer
quantidade de álcool, por menor que seja, é suficiente
para prejudicar o funcionamento de capacidades em pleno
desenvolvimento, como por exemplo, a memória, o
raciocínio, a atenção . . .
Da mesma forma, os órgãos e
estruturas do sistema nervoso são, nesta fase do seu
crescimento, muito mais sensíveis ao álcool do que no
adulto.
Ao nível dos adultos, a
própria ‘Lei Portuguesa’,
por exemplo, proíbe qualquer indivíduo de conduzir com
taxas de álcool superiores a 0.5 g/l (por enquanto).
Contudo, isto não significa
que alcoolémias inferiores a esta taxa sejam inofensivas
!
Os
idosos,
pessoas com problemas de natureza
psíquica,
entre outros casos, são claramente grupos de risco, para
os quais como cidadãos deveremos estar particularmente
atentos.
Assim, e eventualmente com
toda a controvérsia
que este artigo possa suscitar, aqui apresento algumas
regras de moderação
relativas ao consumo de álcool :
DEVEM
DIZER NÃO ÀS BEBIDAS ALCOÓLICAS :
- crianças e jovens
até aos 17 anos de idade.
- mulheres grávidas e a amamentar.
- pessoas durante o trabalho e a condução rodoviária.
- doentes alcoólicos
tratados.
PODEM
DIZER SIM
ÀS BEBIDAS ÁLCOÓLICAS:
- indivíduos adultos
saudáveis que poderão fazê-lo em doses moderadas.
- o adulto não
deve ultrapassar 1/4 de litro de vinho ou duas cervejas,
repartidas pelas 2 principais refeições.
- a ingestão de bebidas
alcoólicas destiladas (conforme referido), deve ser uma
situação excepcional.
Note-se
que :
“A
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE”
Considera sem risco, os consumos de álcool abaixo de 20
g de álcool por dia.
O ÁLCOOL EM PORTUGAL
Portugal
é um país produtor e exportador de bebidas alcoólicas,
principalmente vinho
(8º produtor mundial)
e também um dos
países do mundo onde se consome mais álcool puro. . . !
No ano de 2000, foram
aproximadamente 11 litros de álcool a quantidade
ingerida por cada português.
O consumo de vinho em
Portugal tem diminuído significativamente, mas o consumo
de cerveja e de bebidas destiladas tem aumentado de
forma preocupante, pelo que, na globalidade, o consumo
de álcool puro se mantém muito elevado.
Por outro lado, assiste-se a
uma grande mudança nos padrões e hábitos de consumo de
bebidas alcoólicas, principalmente à custa dos jovens
que bebem mais cerveja e bebidas destiladas,
calculando-se que mais de 60 % dos jovens consomem
bebidas alcoólicas.
Estima-se que em Portugal,
exista cerca de um milhão de bebedores
excessivos, setecentos mil alcoólicos e
que uma grande percentagem da população tenha problemas
com o álcool nos empregos, no ambiente familiar, na
sociedade e com as autoridades, devido ao consumo
“inoportuno” ou excessivo
Þ
Todos reconhecemos que o uso
de bebidas alcoólicas é habitual na quase totalidade das
famílias portuguesas e por isso, facilmente constatamos
a evidência de que, em Portugal, de forma directa ou
indirecta, os problemas
ligados ao consumo de álcool,
confrontam naturalmente o quotidiano de cada um de nós
enquanto cidadãos.
Vai aqui então o nosso alerta
:
Beber . . . tudo bem !? Mas
com moderação.
A vida pode ser muito
devertida sem álcool.
Quanto aos jovens, não é
certamente por beber que se tornam mais homens ou
mulheres.
Quanto aos adultos, certo é
que, quem bebe excessiva e continuamente, mais cedo ou
mais tarde vai ter problemas.
Tenham calma com isto do
álcool ! ! !
E sobretudo não se esqueçam :
Menos Álcool ,
Mais Saúde , Mais
VIDA
!
Nota: Na próxima crónica (2ª parte),
irei continuar a abordar o problema do “Um olhar
sobre os problemas ligados ao Álcool”, agora numa perspectiva mais
abrangente, nomeadamente no que diz respeito aos seus
sintomas e consequências. Um bem-haja para todos!
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