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Na
sequência do trabalho apresentado no artigo anterior (1ª
parte), venho agora concluir a apreciação sobre este
fenómeno biológico, psicológico e social que afecta
inevitavelmente nos dias de hoje todos nós, fenómeno
esse que apelidamos de: “Stresse”.
Na verdade, o stresse tornou-se um dos
principais problemas de saúde do trabalho.
Nesta perspectiva, o empregador deve criar as condições para que o
stresse seja reconhecido como doença profissional e seja
tratada como um problema colectivo. Não se deve permitir
que as pessoas resolvam sozinhas os problemas
relacionados com o stresse.
Repare-se aliás, que muitas doenças ocupacionais e acidentes
profissionais, estão directamente ligadas a problemas
stressantes.
Para prevenir o stresse deverá ser
efectuada uma abordagem sistemática em termos de
prevenção, o que implica a utilização de instrumentos
simples e práticos para determinar as suas causas.
Vejamos então alguns dos seus efeitos e
consequências.
Do ponto de vista da actividade laboral, as
situações de stresse podem conduzir:
• falta de controlo sobre o trabalho;
• exigências psicológicas elevadas;
• falta de participação nos processos de decisão;
• falta de comunicação entre dirigentes e trabalhadores;
• estagnação na carreira;
• conflitos interpessoais;
• conflitos laborais;
• incompatibilidade do trabalho / vida privada
• recessão económica;
• desemprego;
• assédio moral (ataques verbais e físicos
desvalorizando o trabalho de uma pessoa)
Como consequências individuais pode levar a situações
tais como :
• perturbações musculares, digestivas, cardíacas e
pulmonares;
• ansiedade;
• depressão;
• fadiga;
• insónias;
• frustração;
• hipertensão;
• consumo excessivo de álcool, tabaco e fármacos;
• disfunções sexuais;
• esgotamento (burnout)
• Cancro; (o modo de reagir, a inadaptação, a forma de
lidar com o stresse psicossocial origina
respostas fisiológicas que podem favorecer o cancro,
quando estamos sujeitos a um stresse
intenso e contínuo as nossas defesas diminuem)
• agressividade / violência
• baixa ou perca da auto-estima
• risco de suicídio
• . . .
A nível organizacional as suas consequências
estão normalmente associadas a:
• absentismo;
• acidentes;
• conflitos laborais;
• falta de criatividade;
• baixo desempenho
Naturalmente que as pessoas são diferentes, cada uma tem as
suas próprias características individuais. As
diferenças surgem através da “natureza” e da “educação”.
Outras determinantes são a idade, o sexo, as doenças
ou estado de doença crónica.
No que respeita aos jovens, o problema-chave,
hoje em dia, é a elevada taxa de desemprego juvenil em
toda a Europa. Os jovens que conseguem encontrar emprego
também têm problemas. Muitas vezes aceitam um emprego
que não é compatível com as suas qualificações ou
ambições. Frequentemente estes empregos apresentam
elevados riscos de stress: elevadas exigências mentais e
físicas e pouca autonomia.
Os trabalhadores idosos trabalham em
empregos onde o risco de exploração é maior, a exposição
a condições perigosas de trabalho é elevada, onde a
protecção é baixa ou inexistente ou correm risco de
desemprego.
Os trabalhadores migrantes enfrentam
o desafio de se adaptarem a um conjunto de novas
condições: clima, hábitos alimentares, costumes sociais
e língua. Os antecedentes culturais, costumes, tradições
criam barreiras à sua integração. Tais factores têm
grande influência no comportamento do trabalhador e
podem predispor à doença. Em estudos realizados em
vários países, verificou-se que a taxa de acidentes é
2,5 vezes mais elevada nos trabalhadores migrantes do
que nos nacionais
Os deficientes são um problema muito
mais complexo, pois a deficiência pode não ser
considerada em relação às tarefas que o trabalhador deve
realizar, por isso, poder levar ao stresse.
Muitas vezes o deficiente sofre não só devido à sua
deficiência física ou mental, mas ainda mais devido à
atitude dos empregadores ou dos colegas face à sua
situação.
As mulheres além de desempenharem
uma actividade profissional, têm muitas vezes a
responsabilidade pelos trabalhos domésticos. Isto
significa que as mulheres podem ter que trabalhar 14
horas por dia, sete dias por semana.
Que se entenda de uma vez por todas que o stresse é
um problema para o trabalhador e para a empresa.
Para as empresas o stresse resulta em
perda de produção e pode levar a um mau ambiente de
trabalho.
Os problemas causados pelo stresse
no trabalho estão a aumentar. As características do
trabalho mudaram extraordinariamente nos últimos anos.
As tarefas que tradicionalmente requeriam um tremendo
esforço físico, hoje requerem um maior esforço mental. A
intensidade do trabalho aumentou, com menos
trabalhadores consegue-se produzir mais.
Legalmente, cabe em muito ao empregador
assegurar a segurança e saúde dos seus trabalhadores.
O stresse pode ser evitado se
o empregador criar boas condições de trabalho, avaliar
os riscos existentes e adaptar o trabalho ao indivíduo
de forma adequada.
O trabalho monótono, solitário, a falta de apoio e
informação, os problemas ergonómicos, e própria falta de
formação, são entre outros, aspectos fundamentais a
considerar. Certamente que uma preocupação mais cuidada
e objectiva sobre estes problemas conduzirá a uma
empresa muito mais produtiva e com menos índices de
absentismo.
Mas nem tudo o que se refere ao
stresse é mau! Quando controlamos a situação, o
stresse enriquece a vida, é um desafio em
vez de uma ameaça. Dinamiza e contribui para a
realização do indivíduo. Quando falta o controlo, o
stresse significa crise, isto é, prejuízos
para nós, para a nossa saúde e para a empresa.
A prática de exercício físico,
ocupações alternativas, o uso de técnicas de meditação e
de relaxamento e um suporte social adequado contribuem
decididamente para aumentar a capacidade de resistência
do indivíduo face ao stresse. É
fundamental eliminar ou modificar a situação geradora do
problema.
Enfim, este problema não é nenhuma
brincadeira, nem sequer motivo para ironias ignorantes!
É bom que, como trabalhadores nas mais diversas
áreas, nos comecemos a preocupar seriamente com estes
assuntos. São de facto uma realidade que não mais
podemos continuar a ignorar para bem de nós todos e do
nosso País.
Afinal de contas, quando se diz que estamos
na cauda da Europa, que somos os piores em tudo, e só
somos bons no que é mau, se nos preocuparmos com estes
aspectos, tal como os “outros” se preocupam, talvez no
futuro possamos esperar para todos nós novas
expectativas e um reconhecimento mais efectivo das
nossas reais capacidades e possibilidades.
Não nos esqueçamos também da educação
dos nossos filhos nestes domínios; estes que um dia
hão-de dar continuidade ao nosso trabalho. Um bem haja
para todos e, … até breve
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