Sobre o Cronista:
Eng. Emanuel António Casquilho Capote

Emanuel António Casquilho Capote, é Engenheiro Electrotécnico especializado na área de Informática. Tem vindo a desenvolver a sua actividade neste domínio como Professor assistente no Ensino Superior, assim como nos quadros da Escola Secundária de Pinhal do Rei.

Para além de um imenso trabalho desenvolvido em áreas formativas e de intervenção cultural, é neste momento o Coordenador Distrital do Programa Nacional de Educação Para a Segurança e Saúde no Trabalho (PNESST), no Instituto Para o Desenvolvimento e Inspecção das Condições de Trabalho (IDICT).

Eng. Emanuel A. C. Capote

CONTACTOS: Emanuel Capote
Tema:
O STRESSE no Trabalho - 2ª parte              1ª parte


>>
 Na sequência do trabalho apresentado no artigo anterior (1ª parte), venho agora concluir a apreciação sobre este fenómeno biológico, psicológico e social que afecta inevitavelmente nos dias de hoje todos nós, fenómeno esse que apelidamos de: “Stresse”.
     Na verdade, o stresse tornou-se um dos principais problemas de saúde do trabalho.
   Nesta perspectiva, o empregador deve criar as condições para que o stresse seja reconhecido como doença profissional e seja tratada como um problema colectivo. Não se deve permitir que as pessoas resolvam sozinhas os problemas relacionados com o stresse.
    Repare-se aliás, que muitas doenças ocupacionais e acidentes profissionais, estão directamente ligadas a problemas stressantes.
      Para prevenir o stresse deverá ser efectuada uma abordagem sistemática em termos de prevenção, o que implica a utilização de instrumentos simples e práticos para determinar as suas causas.

       Vejamos então alguns dos seus efeitos e consequências.

       Do ponto de vista da actividade laboral, as situações de stresse podem conduzir:

• falta de controlo sobre o trabalho;
• exigências psicológicas elevadas;
• falta de participação nos processos de decisão;
• falta de comunicação entre dirigentes e trabalhadores;
• estagnação na carreira;
• conflitos interpessoais;
• conflitos laborais;
• incompatibilidade do trabalho / vida privada
• recessão económica;
• desemprego;
• assédio moral (ataques verbais e físicos desvalorizando o trabalho de uma pessoa)

     Como consequências individuais pode levar a situações tais como :

• perturbações musculares, digestivas, cardíacas e pulmonares;
• ansiedade;
• depressão;
• fadiga;
• insónias;
• frustração;
• hipertensão;
• consumo excessivo de álcool, tabaco e fármacos;
• disfunções sexuais;
• esgotamento (burnout)
• Cancro; (o modo de reagir, a inadaptação, a forma de lidar com o stresse psicossocial origina respostas fisiológicas que podem favorecer o cancro, quando estamos sujeitos a um stresse intenso e contínuo as nossas defesas diminuem)
• agressividade / violência
• baixa ou perca da auto-estima
• risco de suicídio
• . . .

      A nível organizacional as suas consequências estão normalmente associadas a:

• absentismo;
• acidentes;
• conflitos laborais;
• falta de criatividade;
• baixo desempenho


    Naturalmente que as pessoas são diferentes, cada uma tem as suas próprias características individuais. As diferenças surgem através da “natureza” e da “educação”. Outras determinantes são a idade, o sexo, as doenças ou estado de doença crónica.
     No que respeita aos jovens, o problema-chave, hoje em dia, é a elevada taxa de desemprego juvenil em toda a Europa. Os jovens que conseguem encontrar emprego também têm problemas. Muitas vezes aceitam um emprego que não é compatível com as suas qualificações ou ambições. Frequentemente estes empregos apresentam elevados riscos de stress: elevadas exigências mentais e físicas e pouca autonomia.
      Os trabalhadores idosos trabalham em empregos onde o risco de exploração é maior, a exposição a condições perigosas de trabalho é elevada, onde a protecção é baixa ou inexistente ou correm risco de desemprego.
       Os trabalhadores migrantes enfrentam o desafio de se adaptarem a um conjunto de novas condições: clima, hábitos alimentares, costumes sociais e língua. Os antecedentes culturais, costumes, tradições criam barreiras à sua integração. Tais factores têm grande influência no comportamento do trabalhador e podem predispor à doença. Em estudos realizados em vários países, verificou-se que a taxa de acidentes é 2,5 vezes mais elevada nos trabalhadores migrantes do que nos nacionais
       Os deficientes são um problema muito mais complexo, pois a deficiência pode não ser considerada em relação às tarefas que o trabalhador deve realizar, por isso, poder levar ao stresse. Muitas vezes o deficiente sofre não só devido à sua deficiência física ou mental, mas ainda mais devido à atitude dos empregadores ou dos colegas face à sua situação.
       As mulheres além de desempenharem uma actividade profissional, têm muitas vezes a responsabilidade pelos trabalhos domésticos. Isto significa que as mulheres podem ter que trabalhar 14 horas por dia, sete dias por semana.
     Que se entenda de uma vez por todas que o stresse é um problema para o trabalhador e para a empresa. Para as empresas o stresse resulta em perda de produção e pode levar a um mau ambiente de trabalho.
      Os problemas causados pelo stresse no trabalho estão a aumentar. As características do trabalho mudaram extraordinariamente nos últimos anos. As tarefas que tradicionalmente requeriam um tremendo esforço físico, hoje requerem um maior esforço mental. A intensidade do trabalho aumentou, com menos trabalhadores consegue-se produzir mais.
       Legalmente, cabe em muito ao empregador assegurar a segurança e saúde dos seus trabalhadores.
       O stresse pode ser evitado se o empregador criar boas condições de trabalho, avaliar os riscos existentes e adaptar o trabalho ao indivíduo de forma adequada.
    O trabalho monótono, solitário, a falta de apoio e informação, os problemas ergonómicos, e própria falta de formação, são entre outros, aspectos fundamentais a considerar. Certamente que uma preocupação mais cuidada e objectiva sobre estes problemas conduzirá a uma empresa muito mais produtiva e com menos índices de absentismo.

       Mas nem tudo o que se refere ao stresse é mau! Quando controlamos a situação, o stresse enriquece a vida, é um desafio em vez de uma ameaça. Dinamiza e contribui para a realização do indivíduo. Quando falta o controlo, o stresse significa crise, isto é, prejuízos para nós, para a nossa saúde e para a empresa.
        A prática de exercício físico, ocupações alternativas, o uso de técnicas de meditação e de relaxamento e um suporte social adequado contribuem decididamente para aumentar a capacidade de resistência do indivíduo face ao stresse. É fundamental eliminar ou modificar a situação geradora do problema.


        Enfim, este problema não é nenhuma brincadeira, nem sequer motivo para ironias ignorantes!
      É bom que, como trabalhadores nas mais diversas áreas, nos comecemos a preocupar seriamente com estes assuntos. São de facto uma realidade que não mais podemos continuar a ignorar para bem de nós todos e do nosso País.
       Afinal de contas, quando se diz que estamos na cauda da Europa, que somos os piores em tudo, e só somos bons no que é mau, se nos preocuparmos com estes aspectos, tal como os “outros” se preocupam, talvez no futuro possamos esperar para todos nós novas expectativas e um reconhecimento mais efectivo das nossas reais capacidades e possibilidades.
        Não nos esqueçamos também da educação dos nossos filhos nestes domínios; estes que um dia hão-de dar continuidade ao nosso trabalho. Um bem haja para todos e, … até breve
 

Fontes de Consulta:
>> Agência Europeia Para a Segurança e Saúde no Trabalho :

 -         Semana Europeia – Outubro de 2002 :

         “Contra o STRESSE no Trabalho, Trabalhe contra o STRESSE”

 -         http://osha.eu.int/ew2002/

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... Sol nascente que, já por montes e vales, ia desdobrando, em fulgurações de oiro, o seu régio manto de luz. Gotas de orvalho, quais lágrimas de cristal, que a noite tinha derramado por sobre a Natureza, iam secando às primeiras carícias da madrugada...

Francisco T. Feteira



Pobre de quem sofre, ausente,
sem amizades leais,
pois longe da nossa gente
doi-nos a dor muito mais.

José Loureiro Botas

 


Quero-te mais do que à vida;
Quero-te mais do que aos meus
E, se não fôsse pecado,
Querer-te-ia mais que a Deus.

Ilídio Pereira Carvalho
 
 


Quero-te mais do que à vida;
Quero-te mais do que aos meus
E, se não fôsse pecado,
Querer-te-ia mais que a Deus.

Ilídio Pereira Carvalho
 

 

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