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Cerca de um em cada três
trabalhadores europeus, mais de 40 milhões de pessoas,
dizem-se afectadas pelo Stresse no Trabalho.
O stresse é responsável por milhões de
dias de absentismo por ano. Os números falam por si, são
demasiadas as vítimas que sofrem em silêncio e
demasiadas as empresas que não se apercebem de quanto o
stresse pode afectar o seu desempenho.
Segundo o relatório
“Condições de Trabalho na Comunidade Europeia” da
Fundação Dublin, 28% dos trabalhadores declaram ter
problemas de saúde relacionados com o stresse,
tratando-se do segundo maior problema depois das dores
lombares, que representa 30% nesta apreciação. Em termos
de dias de trabalho, são perdidos por ano na Comunidade
Europeia cerca de 600 milhões de dias devido a doenças
relacionadas com o trabalho. Esta situação constitui
assim, um importante motivo de preocupação e um desafio
devido não só aos seus efeitos sobre os trabalhadores
individuais, mas também aos custos ou impacto económico
sobre as empresas e aos custos sociais para os países
europeus.
Mas a questão
inevitável é: “O que é o stresse ?”. De
uma forma geral, cada vez mais existe um consenso para
definir o stresse em termos das
“interacções” entre o trabalhador e o seu ambiente de
trabalho, designadamente no que diz respeito à exposição
a factores de risco. Neste modelo, pode-se dizer que o
stresse é ressentido quando as exigências
do ambiente de trabalho ultrapassam a capacidade do
trabalhador face a essas exigências (ou de as
controlar). Por outras palavras, podemos entender o
stresse como um desajustamento entre as
competências do trabalhador e as exigências da
profissão, exigências essas que excedem a capacidade dos
indivíduos para as suportarem e ultrapassarem.
Naturalmente
que a tensão e a determinação no trabalho podem melhorar
o desempenho, e proporcionar satisfação quando se
procuram atingir objectivos que constituem um desafio.
No entanto, quando as exigências e as tensões são
excessivas, podem conduzir ao stresse.
O
stresse não é uma doença. Contudo, quando se
manifesta de forma intensa e permanente ao longo de um
certo período de tempo, pode conduzir a problemas de
saúde mental e física.
Ao definir
stresse desta forma, coloca-se a tónica nas
causas relacionadas com o trabalho e nas medidas de
controlo necessárias. De facto, o segredo da prevenção
do stresse e dos riscos psicossociais
relacionados com o trabalho reside na organização e na
gestão do mesmo. Nesta perspectiva, a União Europeia
adoptou uma directiva-quadro destinada a proteger os
trabalhadores e a melhorar as condições de saúde e
segurança no trabalho, que abrange todos perigos nos
locais de trabalho, incluindo os riscos psicossociais
bem como a falta de segurança e utilização de
equipamentos de protecção.
Assim, este
interesse na redução dos riscos psicossociais e do
stresse, constituem não só um imperativo
moral, como jurídico. Será certamente com o aumento da
sensibilização dos trabalhadores e dos gestores para os
problemas da segurança e da saúde no trabalho, da
prevenção do stresse, bem como na
demonstração de que a aposta na saúde e na segurança são
de facto “um bom negócio”, que poderemos contribuir para
a redução dos custos humanos e económicos de uma
Europa... enfim sob “Stresse”.
Nota: Na próxima crónica (2ª parte),
irei continuar a abordar o problema do “Stresse no
Trabalho”, agora numa perspectiva mais
abrangente, nomeadamente no que diz respeito aos seus
sintomas e consequências. Um bem-haja para todos!
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