|
Índice
Introdução
Passo 1: Estude a topologia e o tipo de rede a instalar
Passo 2 : Avalie as necessidades de hardware e software
Passo 3 : Assegure a instalação correcta
Passo 4 : Garanta a segurança da rede
O protótipo do computador isolado já passou à história da informática. Hoje em dia mesmo os computadores domésticos tendem a estar ligados em rede, principalmente à Internet, mas tornou-se pouco comum que dois ou mais PCs num mesmo espaço físico não tenham qualquer tipo de ligação que permita a partilha de informação e recursos.
Também na informática a união faz a força e por isso se estudou a possibilidade de combinar as capacidades dos computadores pessoais, quer através do recurso a um computador central, ou servidor, quer pela simples ligação entre equipamentos, também chamada ligação peer-to-peer (P2P).
Os modelos e a forma de ligação dos computadores podem variar, mas as vantagens conseguidas passam igualmente pela possibilidade de partilha de recursos como as impressoras, scanners ou outro hardware e a ligação à Internet, além da possibilidade dos utilizadores trocarem entre si ficheiros e mensagens de correio electrónico e até usarem em simultâneo algum software. Desta forma as redes não só permitem às empresas aumentar a eficácia do trabalho, poupando tempo e dinheiro, como garantem uma maior produtividade dos trabalhadores.
Passo 1: Estude a topologia e o tipo de rede a instalar |
Voltar ao topo |
O primeiro passo antes da instalação da infra-estrutura tem de ser a análise das necessidades e a decisão sobre qual o tipo de rede local a instalar no seu espaço. Em termos de decisão da tecnologia existem actualmente duas grandes opções a considerar em termos de funcionamento da ligação física entre as máquinas, a Ethernet e a Token
Ring.
Porém, a Ethernet acabou por ser o standard dominante, sendo poucas as situações em que numa instalação local se opta por instalar Token
Ring.
As principais vantagens da Ethernet são:
- Economia. A maior disseminação das redes Ethernet acabou por tornar os equipamentos de ligação - as placas de rede - mais baratas. Ao mesmo tempo é mais fácil garantir assistência técnica para esta tecnologia porque os profissionais estão mais habituados a lidar com estas instalações.
- Velocidade. As redes Ethernet garantem uma maior velocidades nas comunicações, com uma rápida evolução da tecnologia que partiu dos 10 Mbits por segundo e que actualmente já chega aos 1000 Mbits por segundo (equivalente a 1 Gbps). A tecnologia de 100 Mbps é actualmente a mais comum e tem o nome de Fast Ethernet, enquanto a de 1 Gbps é conhecida por Gigabit Ethernet.
- Utilização generalizada. A maior parte dos computadores pessoais compatíveis (PCs) e mesmo os Macintosh trazem já de série uma placa de rede Ethernet 10/100 Mbits para ligação em rede, pelo menos nas linhas empresariais.
A Ethernet tem também algumas desvantagens, nomeadamente o facto das distâncias entre troços de rede (a ligação entre o PC e o Hub ou Switch) não poderem ser superiores a 100 metros sob pena de sofrer perdas de comunicação, embora a distância entre os vários computadores ligados possam ultrapassar estes números, assim como a totalidade da rede.
As redes Token Ring, por seu lado, estão limitadas a velocidades entre 4 e 16 Mbps entre os nós (os computadores), que ficam ligados em forma de anel, podendo instalar-se até 255 postos diferentes. Embora de evolução técnica mais lenta e com um número de fabricantes mais restrito, esta tecnologia já chega aos 400
Mbps.
Depois de escolhida a tecnologia a utilizar, que tudo aconselha ser a Ethernet, é necessário pensar no desenho físico da rede e decidir o tipo de instalação a realizar. Também aqui existem opções a tomar. Na tecnologia Ethernet pode usar ligações de par entrançado (Twisted Pair Ethernet) ou de Thin Ethernet, sendo a primeira mais comum porque tem uma maior capacidade evolutiva em termos de velocidade e flexibilidade na resolução de problemas, embora exija a instalação de um Hub ou Switch.
A opção pela Thin Ethernet é já muito pouco utilizada, embora possa ser considerada numa rede muito pequena, como por exemplo entre dois ou três computadores. Mas, além das limitações de velocidade, esta tecnologia tem a restrição máxima de distância total de 185 metros e um número máximo de 30 ligações. É também pouco tolerante a falhas, porque qualquer perda de ligação na rede provoca o isolamento dos computadores.
Sendo o Twisted Pair a opção mais comum, o cabo de cobre de quatro pares é a ligação física mais comum a utilizar, sendo o cabo UTP (Unshielded Twisted Pair) o mais adoptado. Se vai instalar o escritório de raiz deverá considerar a adopção de uma cablagem estruturada, na qual pode usar o mesmo cabo, que garante maior flexibilidade e poupança de trabalho, ao mesmo tempo que assegura uma instalação mais rápida.
Apesar de ter um nome algo pomposo, a cablagem estruturada não é mais do que a ligação através de um cabo físico das comunicações telefónicas e de rede - não em simultâneo - assegurando que com pouco trabalho uma ficha RJ45 se pode transformar numa ligação para um computador ou um telefone.
Existem ainda casos em que poderá considerar a instalação de uma rede local sem fios, ou Wireless LAN. Embora mais cara e de menor velocidade - sendo esta determinada pelas condições físicas da instalação - pode ser interessante se não forem aconselhadas obras para instalação de cabos, como por exemplo em edifícios históricos.
Passo 2 : Avalie as necessidades de hardware e software |
Voltar ao topo |
Para instalar uma rede Ethernet existem vários componentes de hardware que são necessários:
- placas de rede 10/100BaseT
- os cabos propriamente ditos, sendo aconselhável a opção por cabos UTP
- equipamentos de comunicação, que pode ser um Hub ou Switch
A escolha entre a instalação da rede com um Hub ou Switch depende de algumas condicionantes, como o tipo de tráfego esperado na rede. A maior parte das instalações é feita com um Hub, uma opção mais económica, já que pode custar (com 8 portas) perto de 10 mil escudos, enquanto um Switch com a mesma capacidade pode ultrapassar os 40 mil escudos.
O Switch é aconselhável sempre que seja esperado que na rede existam aplicações mais exigentes em termos de tráfego de comunicações, já que este equipamento faz uma gestão mais inteligente da largura de banda disponível para os vários postos de trabalho.
Outro dos pontos a considerar em termos de hardware é a aquisição de um servidor de rede. Definir um dos computadores a ligar como servidor é obrigatório no caso de querer instalar uma arquitectura cliente/servidor. O mesmo já não acontece se quiser instalar uma rede peer-to-peer, ou de computação distribuída como também é chamada.
Porém, claramente, as maiores vantagens para pequenas empresas podem ser extraídas de redes cliente/servidor, com tecnologias mais testadas, uma área de ficheiros de dados comuns, políticas de segurança centralizadas e até implementação de aplicações como servidores de correio electrónico e bases de dados centrais.
As principais vantagens apontadas às arquitecturas cliente servidor são:
- centralização - acesso centralizado a recursos, maior segurança dos dados e controle da rede e das políticas de utilizador através do servidor
- escalabilidade - qualquer elemento pode ser actualizado sempre que necessário
- flexibilidade - novas tecnologias podem ser facilmente introduzidas no sistema
- interoperabilidade - todos os componentes trabalham sobre uma mesma base
- integração da diversidade - se todos os equipamentos usarem o mesmo protocolo de comunicação - como o TCP/IP - podem coexistir numa rede diversas plataformas de software, como compatíveis IBM, Macintosh ou Unix.
O servidor não precisa de ser um equipamento onde são investidas centenas de contos, bastando optar por um computador mais robusto, com uma maior velocidade de processamento e memória
RAM, sendo igualmente aconselhável que tenha sistema de backup integrado para salvaguarda dos dados e discos rígidos em
RAID. Este computador pode ainda ser usado como posto de trabalho, embora não para utilizar aplicações muito pesadas já que isso pode comprometer o desempenho de toda a rede.
Em termos de software, a escolha da plataforma a utilizar determina qual o sistema operativo a instalar e depois este obriga à selecção das restantes aplicações. As opções passam pelo
Linux, Unix e MacOS, mas os sistemas Windows são claramente os mais utilizados e aqueles para os quais continua a ser mais fácil garantir a manutenção e assistência técnica numa pequena e média empresa.
Os próprios sistemas operativos Windows para computadores pessoais, como o Windows 98 ou Windows Me, integram capacidades para instalar uma pequena rede, mas a melhor opção é por um sistema operativo de servidor, como o Windows NT ou 2000, que têm características mais robustas e maiores funcionalidades de segurança, ao mesmo tempo que asseguram a sustentabilidade de outras aplicações também baseadas na arquitectura cliente/servidor, como gestores de correio electrónico e Intranets.
Depois de definidas as tecnologias e as necessidades de hardware e software, é preciso zelar para que toda a instalação seja feita de forma adequada. Se contratar uma empresa para instalar a rede e as calhas necessárias para manter os cabos nos seus lugares pelo chão ou na parede, entregue um plano detalhado das zonas onde vai instalar os postos de trabalho para a colocação exacta das tomadas de rede e telefones.
Opte também por instalar um número de tomadas redundante de forma a permitir um crescimento fácil do número de utilizadores a ligar à rede. Instalar uma tomada à posteriori sairá certamente mais caro do que optar por ter o dobro das ligações à partida.
Quando instalar o software, assegure que a configuração da rede fica bem feita em cada um dos postos de trabalho e no servidor. Os drivers das placas, a instalação do protocolo
TCP/IP e as definições de acesso à rede de cada utilizador devem ser determinadas à partida, o que garantirá uma maior produtividade logo no início da utilização do computador.
A colocação física de impressoras e outros periféricos partilhados deve ser também considerada em termos de funcionalidade e proximidade dos postos de trabalho que mais os utilizam, sendo igualmente importante determinar a sua partilha pelos utilizadores.
Os problemas de segurança da informação da empresa não vêm apenas do exterior, como muitos gestores pensam. é necessário determinar à partida quais as permissões de acesso que se devem dar a cada utilizador para as áreas mais críticas. Isso pode ser definido com políticas de segurança clara, além de ser igualmente aconselhável definir actividades não permitidas (como por exemplo jogos em rede que são muito pesados nas comunicações).
Dentro das políticas de segurança fica ainda um sistema de recuperação de desastres e uma política de backup de dados, temas que teremos oportunidade de abordar num manual posterior.
Em relação à segurança da rede em relação a acesos não autorizados do exterior, é aconselhável a instalação de um firewall, um sistema ou conjunto de sistemas que impõem uma barreira entre duas ou mais redes, controlando o acesso de uma para outra. Mas este não precisa de ser um componente caro, existindo até versões básicas gratuitas.
Glossário
- backup - cópias de segurança de documentos, ficheiros ou programas que serve como recurso adicional de duplicação de dados em diferentes meios de armazenamento para propósitos de emergência.
- cliente - computador ou aplicação que recebe os serviços de um servidor - daí o termo cliente-servidor, até agora o paradigma da comunicação através de redes informáticas.
- Ethernet - topologia de rede local mais utilizada. O seu standard é o IEEE 802.3 e foi desenvolvida originalmente pela Xerox. A velocidade de transmissão garantida pela Ethernet é de 10 Mbps, mas o desenvolvimento de novas tecnologias levou ao aparecimento da Fast Ethernet, com velocidades de 100 Mbps, e da Gigabit Ethernet, com 1000 Mbps.
- firewall - sistema ou conjunto de sistemas que impõem uma barreira entre duas ou mais redes, controlando o acesso de uma para outra.
- Hub - Equipamento usado para organizar a comunicação de dados dentro de uma rede local. Os vários computadores são ligados ao Hub através de cabos e este determina o encaminhamento dos dados comunicados.
- LAN - Local area Network, ou rede local. É constituída por servidores, clientes, um sistema operativo de rede e cabos de comunicação (que podem ser apenas vias de comunicação no caso das redes sem fios).
- Peer-to-Peer (P2P) - tecnologia que permite a partilha de recursos e ficheiros informáticos através da troca directa entre sistemas. Os computadores deixam de funcionar apenas como clientes e passam a comunicar entre si, actuando como clientes e servidores
- RAID (Redundant Array of Independent) - conjunto redundante de discos independentes (ou baratos). Um controlador que utiliza tecnologia SCSI para ligar entre si vários discos rígidos de forma a aumentar o seu desempenho, assegurar níveis de redundância ou ambos. De acordo com a funcionalidade oferecida, existem diversos níveis RAID. O RAID 0 usa dois ou mais discos como se fossem um só, de forma a aumentar o seu desempenho; isto é conseguido com a escrita (e posterior leitura) da informação através de mais do que um disco, uma técnica designada por disk stripping. O RAID 1 usa dois ou mais discos de forma a que a informação escrita num deles seja automaticamente duplicada no(s) outro(s); ao contrário do RAID 0, o RAID 1 destina-se a assegurar fiabilidade através da redundância e não o aumento do desempenho. O tipo de configuração mais usado é o RAID 5, onde são usados três ou mais discos e é conseguido não só um aumento de desempenho mas também de segurança face à utilização de apenas um disco isolado.
- servidor - computador central de uma rede e seu correspondente de software (entre outros sistemas operativos de rede) que põe os seus serviços à disposição dos computadores integrantes da rede (cliente) por meio de um software cliente-servidor. Quando se faz o download de software na Internet, esse software está residente num servidor, algures no mundo.
- Switch - Equipamento que permite a gestão do tráfego de comunicação numa rede. Faz uma gestão mais inteligente do que o Hub da largura de banda da rede na medida em que esta é gerida consoante as necessidades de cada computador no momento.
- TCP (Transmission Control Protocol) - um dos principais protocolos das redes do tipo TCP/IP.
- UTP - Unshielded Twisted Pair - cabo usualmente utilizado nas instalações de redes Ethernet.
- Wireless LAN - uma rede local sem fios.
Referências
Autor: Fátima Caçador / Casa dos Bits
|
|